Edílson reclama da "trairagem"

Enquanto o Flamengo vive a tensão de decidir a Copa Mercosul em Buenos Aires contra o San Lorenzo, o atacante Edílson, expulso na primeira partida, realizada no Maracanã semana passada, passa uma rotina tranqüila na capital baiana, ouvindo pagode, dedilhando o cavaquinho e produzindo novos CDs no seu estúdio, o ED10, em Salvador. ?Meu pai foi músico e isso me levou a entrar no show biz como empresário", explica, contando que recentemente Caetano Veloso e o cantor Tatau do Grupo Araketu, alugaram seu estúdio para gravações. "É sinal que a gente fez a coisa bem feita para atender a uma clientela exigente", orgulha-se, informando que quando pendurar as chuteiras vai trabalhar na área musical e por essa razão vem se profissionalizando ao máximo. Sorridente com suas perspectivas na área musical, Edílson muda o tom da voz quando começa a falar dos problemas no Flamengo, dizendo-se arrependido pela agressão que cometeu contra o jogador do San Lorenzo. "A gente fica de cabeça quente numa decisão e acaba fazendo coisa que não deve", disse, sem saber ainda avaliar se vai continuar na equipe carioca depois de todo o episódio e suas brigas com colegas como o sérvio Petkovic. Edílson contou que vai aproveitar as férias para refletir o que será melhor para sua carreira: ficar ou não no Flamengo. Contou que já recebeu propostas de outras equipes cujos nomes recusou-se a revelar, mas lembrou que ainda tem contrato de um ano e meio com o Flamengo. O atacante tentou justificar suas brigas explicando ter uma "personalidade forte" razão pela qual não "mede palavras" quando se trata de dizer a verdade. "Eu falo a quem quer que seja do roupeiro ao presidente do Flamengo", disse, admitindo que isso "às vezes choca um pouco". Segundo Edílson, "a sua maneira de ser" é um pouco incompatível com o mundo do futebol. "A gente sabe que é um mundo sujo (o mundo do futebol) com muita ´trairagem´, onde ninguém é verdadeiro dentro do clube, dentro do plantel". Para complicar ainda mais o problema, o atacante lembrou a situação financeira do Flamengo. "É uma situação difícil, o clube passa por uma dificuldade muito grande para pagar seus jogadores e por causa disso não sei se o Flamengo vai querer fazer investimentos altos para o ano que vem". Por outro lado, Edílson faz questão de preservar sua boa situação na seleção brasileira, obtida graças às boas atuações nas eliminatórias. Ele acha que o técnico Luís Felipe Scolari não vai se deixar influenciar pelos problemas que vem passando no Flamengo. "Ele me conhece, sabe a minha maneira de ser, sou um jogador alegre, estou sempre bem no plantel da seleção jogando ou não".

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