Edílson volta a atacar Armando Marques

O ex-árbitro de futebol Edílson Pereira de Carvalho entrou em campo nesta segunda-feira à tarde, mas desta vez para a primeira entrevista coletiva, depois de ser preso, há três semanas ao confessar participação na chamada ?máfia do apito?. A coletiva, em um campinho de futebol, no condomínio onde mora, em Jacareí, no Vale do Paraíba, durou uma hora e meia e teve um motivo principal. ?São mais de duzentos telefonemas por dia. Se Deus quiser, a partir de hoje à noite, eu não vou ter mais transtornos?. Assim como no depoimento à Polícia Federal e ä Comissão do Tribunal de Justiça Desportiva, Edílson novamente assumiu a fraude, confessou o erro, mostrou arrependimento mas discordou da anulação das 11 partidas.?O Superior Tribunal de Justiça Desportiva errou ao anular os jogos. Na minha opinião não deveria ter sido anulado nenhum jogo?. A principal revelação de Edílson, foi a confirmação dos telefonemas que recebia de Reinaldo Carneiro Bastos, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol e do ex-diretor de arbitragem da CBF, Armando Marques, para que tentasse manipular alguns jogos. Cinco foram as partidas apontadas por Edílson: Flamengo x Juventude (2001), Nacional x Boca Juniors (Mercosul, 2001), Santos x São Caetano (2004), Corinthians x Portuguesa Santista (2005) e Mogi Mirim x Santos (2005). As duas primeiras pedidas por Armando Marques e as três últimas por Reinaldo Bastos. ?Eu não tenho nada que comprove, a não ser a minha esposa, mas falo por mim. O Armando pediu que eu olhasse com carinho para o Flamengo. O que ele quis dizer com isso??, questionou. ?É claro que eu entendi. Não precisava explicar. Daquele dia em diante passei a ter medo de atender telefone do Armando?, completou. ?Se eu toparia uma acareação? Claro, mas não tenho provas, mas tenho certeza que muitos árbitros sofrem a mesma pressão?. ?Isso sempre existiu, agora é que eu sou o bode expiatório?, avaliou. Questionado se está sofrendo ameaças Edílson disse que não e afirmou não ter medo de dizer ?a verdade?. ?Eu não tenho medo. Se eu não morrer hoje, morro amanhã. Eu falo agora porque estou nessa lama, se continuasse árbitro não falaria jamais?. Observado de longe pela filha Mariana, de 9 anos, o ex-árbitro se emocionou ao falar do apoio que tem recebido da família. ?Minha filha acha que eu estou certo e vocês estão errados. Se eu pudesse voltar atrás, não faria isso nem por cem mil reais.?. No embalo da emoção, pediu desculpas à mulher, à filha, ao futebol e ao povo brasileiro.?Quero voltar a trabalhar, quem sabe, abrir uma loja de telefonia, mas ainda não sei. Primeiro vou me acertar com a Justiça?.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2005 | 18h32

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