Luiz Morier/AE - 3/12/1995
Luiz Morier/AE - 3/12/1995

Edmundo, o craque de bola e de polêmicas dentro e fora dos gramados

Títulos, brigas, desentendimentos e acidente automobilístico marcam a vida do ex-jogador

estadão.com.br

16 Junho 2011 | 11h15

SÃO PAULO - Edmundo Alves de Souza Neto, ou simplesmente Edmundo, o "Animal", foi um dos principais atacantes a pisar nos gramados brasileiros e internacionais nas duas últimas décadas, com jogadas memoráveis, gols inacreditáveis (mais de 284) e títulos de dar inveja a quem sempre sonhou em ter sucesso como jogador de futebol. Seu temperamento tido como explosivo, no entanto, prejudicou sua vida profissional e pessoal.

Destaque do Vasco em 1992, Edmundo foi negociado com o Palmeiras. Na época, Eurico Miranda, então vice-presidente do clube cruzmaltino disse que um "problema" em São Januário havia sido evitado.

Em São Paulo, o atacante foi peça fundamental no ressurgimento da equipe palestrina, que conquistou, além do Paulista, dois Brasileiros, em 1993 e 94. Edmundo, no entanto, já começava a mostrar que seu temperamento explosivo era mais forte que sua habilidade. Caçou várias brigas com a camisa alviverde, sendo a mais lembrada a confusão na partida diante do São Paulo, pelo Campeonato Paulista de 94, quando partiu para a briga com o lateral André Luiz, acertando-o com um soco.

Edmundo, empolgado com a fama repentina, decidiu-se juntar a Romário e Sávio para formar o "ataque dos sonhos" no Flamengo, comandado por Vanderlei Luxemburgo, que havia sido também seu técnico no Palmeiras. Mas o investimento surreal feito pela equipe carioca deu errado. O trio não funcionou e derrotas foram colecionadas. Para piorar, o atacante arrumou briga com o zagueiro Zandona, do Velez Sarsfield, levando um soco que o nocauteou durante jogo pela Supercopa de 1995. Detalhe: Edmundo, juntamente com Romário, gravou uma música chamada "Rap dos Bad Boys".

Se 1995 tivesse sido um ano ruim para o jogador, menos mal. Mas tal ano foi muito mais marcante para o cidadão Edmundo Alves de Souza Neto. Como se o filho feito fora de seu casamento, com a modelo Cristina Mortágua, já não fosse o suficiente, no dia 2 de dezembro aconteceu o acidente que o marcaria, inclusive fisicamente. Ao sair de uma boate na zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, na madrugada, Edmundo, dirigindo uma Grand Cherokee, se envolveu num acidente que vitimou três pessoas. Carlos Frederico Britis Tinoco e Alessandra Cristini Pericier, que estavam num Fiat Uno, morreram, assim como Joana Maria Martins Couto, que estava no carro do ex-jogador, e outros três ficaram feridos, inclusive Edmundo, que até hoje carrega uma marca na testa.

ESPN - Delegado que Edmundo foi respeitado

Acusado de homicídio culposo e sem prestígio, Edmundo foi contratado pelo Corinthians em 1996. Fez um bom primeiro semestre, mas suas confusões com outros jogadores do time o fizeram perder espaço. Assim, Eurico Miranda, que anos atrás achava o jogador um problema, resolveu repatriá-lo, e deu certo. O camisa 7 fez história no Campeonato Brasileiro de 1997, batendo o recorde de gols numa edição - à época -, com 29 gols, além do título.

Sua reviravolta na carreira o havia colocado na equipe da Fiorentina ao lado do argentino Gabriel Batistuta. O começo da dupla foi arrasador, e Edmundo conquistou uma vaga cativa na seleção brasileira. Mas numa atitude impensada, o jogador simplesmente deixou a equipe italiana para curtir o carnaval, em 1999, e colocou por água abaixo sua carreira na Europa. No mesmo ano, o ex-jogador passou sua primeira noite na cadeia pelo acidente, além de ser alvo de críticas de associações de proteção a animais por ter dado supostamente bebida alcoólica a um macaco durante a festa de um de seus filhos. E, para fechar mais um ano conturbado, Edmundo foi sentenciado a quatro anos e seis meses de prisão.

E novamente o Vasco apareceu para o seu resgate. Contratado pela quantia de US$ 15 milhões, recorde para o futebol brasileiro na época, Edmundo reeditou a dupla com Romário - que havia virado seu desafeto por uma brincadeira do Baixinho - em 2000, mas colecionou uma das principais derrotas da equipe, na final do Mundial Interclubes da Fifa no mesmo ano, com direito à perda de pênalti.

A perda do título fez com que a trégua entre Edmundo e Romário acabasse. O Baixinho ganhou a disputa e o Animal foi emprestado ao Santos, onde não se deu bem, sendo negociado em seguida para o Napoli, da Itália. Cruzeiro, Tokyo Verdy, Urawa Red Diamonds, Fluminense, Nova Iguaçu e Figueirense também estiveram no currículo do atacante.

Mas foi no Vasco que o último capítulo de sua carreira profissional aconteceu. E de maneira triste. Já sem a forma de outrora, o ex-jogador viu a equipe de seu coração ser rebaixada no Brasileirão de 2008, em pleno Estádio de São Januário.

Recuperado do baque, Edmundo se mostrou com a cabeça no lugar, aceitando seu filho fora do casamento, assim como se destacando como comentarista esportivo. Recentemente, fez as pazes com o atual presidente do Vasco, Roberto Dinamite, e um jogo de despedida havia sido ventilado, o que, agora, pode não acontecer, já que a vida particular novamente interferiu na carreira de um dos jogadores mais polêmicos do futebol brasileiro e, na madrugada desta quinta-feira, o Animal foi preso em SP e deverá ser transferido para o Rio de Janeiro para cumprir a pena imposta em 1999.

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