Divulgação/ Allianz Parque
Divulgação/ Allianz Parque

Edmundo se emociona ao homenagear Osmar Santos em lançamento de biografia

Ex-jogador chorou ao entregar placa de agradecimento ao narrador que o apelidou de Animal

João Prata, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2019 | 20h49

Edmundo autografou na noite desta terça-feira uma centena de livros de sua biografia, Edmundo - Instinto Animal, escrita pelo jornalista Sergio Xavier. O lançamento em São Paulo aconteceu no Allianz Parque, a casa do Palmeiras, onde ele foi ídolo e ajudou na conquista de dois Paulistas e dois Brasileiros.

O ex-jogador e o jornalista concederam entrevista coletiva antes de encontrar com os fãs. Eles falaram sobre o processo de construção do livro e também prestaram homenagem a Osmar Santos, presente no evento, inventor do apelido Animal. Edmundo entregou uma placa ao ex-narrador e se emocionou. 

Cesar Sampaio, companheiro de Edmundo de Palmeiras e seleção brasileira, também compareceu à coletiva para relembrar histórias engraçadas vividas nos tempos dos gramados. Em uma delas, contou sobre o dia que Amaral foi assistir a uma palestra sobre investimentos e não entendeu nada do que Joelmir Beting falou. "Não ia falar de dinheiro", questionou o ex-volante na época.

LEMBRANÇAS BOAS

Edmundo se emocionou por diversas vezes ao longo da entrevista. Ele chorou ao comentar sobre a orelha do livro escrita por Mauro Beting, de quando lembrou da morte do irmão e das dificuldades enfrentadas na infância. "O que tenho mais orgulho neste livro é de  mim mesmo. Da onde vim: ou jogava bola, ou tocava pagode ou seria bandido. Claro, na favela dá para ser alguém, tem muitas profissões dignas por lá, mas ninguém tem voz. Meu orgulho é poder estar aqui diante de vocês e contar a minha história."

A biografia lembra dos grandes feitos na carreira, as conquista no Palmeiras e no Vasco e também conta sobre a importância que o Figueirense teve na vida de Edmundo, pois abriu as portas para que ele retornasse o clube alviverde em 2006 e depois ao Vasco.

LEMBRANÇAS RUINS

Há também as tragédias, como o acidente de carro sofrido em 1995 no Rio em que duas pessoas morreram. "Lembro disso todos os dias. Dizem que nossa passagem na Terra é de aprendizado. Não gostaria que existisse uma tragédia desse tamanho. Não tem um dia que ela passa despercebida. Mesmo nos dias de alegria e conquistas meu pensamento é naquilo que aconteceu e foi muito ruim para mim."

Sergio Xavier explicou a maneira como fez para caber a vida de Edmundo no livro com todos os altos e baixos. "Não quis contar tudo de tudo. No livro estão os melhores e piores lances. A história do acidente é contada da maneira que as pessoas talvez não saibam. A gente usou o inquérito como base. Tem muitas coisas curiosas, como por exemplo como era o Edmundo no vestiário. Ele era genioso em campo, mas retraído fora dele. É mais um olhar a partir do sentimento", contou.

"A ideia foi contar muito bastidores. Coisa que a gente viveu, de pessoas que ajudou. A parte dentro do campo muita gente já sabe. Tem a parte do campo, tem as polêmicas também, mas tem a ajuda aos meus familiares, aos roupeiros, as pessoas que eram importantes na minha vida", disse Edmundo.

INSISTÊNCIA

O ex-jogador disse que só decidiu contar a biografia pela teimosia de Sergio Xavier. "Foi muita insistência, porque era uma coisa que ele não queria mesmo. A cada encontro foi me convencendo que o lado humano precisava ser mostrado para mais gente."

Sergio conta que foram mais de 15 encontros até ter o sim de Edmundo e que demorou aproximadamente dez meses da primeira entrevista até colocar a última palavra no livro. Algumas histórias ficaram de fora. Com o passar dos dias, muito provavelmente virão outras na memória dos torcedores e do próprio ex-jogador. Ao ser questionado se há material para a "parte 2", o jornalista pediu calma. "Tem espaço, mas quando a gente acaba o primeiro, a gente não quer fazer o segundo."

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