Edmundo: Uma carreira 'Animal' dentro e fora de campo

Ídolo de Palmeiras e Vasco, atacante deixa amigos e inimigos pelo mundo do futebol

André Rigue, estadao.com.br

29 Maio 2008 | 20h05

ANIMAL! O apelido dado pelo narrador Osmar Santos é o que melhor caracteriza o atacante Edmundo. Ídolo de grandes clubes do futebol brasileiro - principalmente de Palmeiras e Vasco -, o jogador teve uma carreira marcada por um estilo ousado de atuar, pelo comportamento agressivo e pelas confusões armadas fora de campo. Veja também: Edmundo anuncia aposentadoria, mas Eurico não aceita Vote: Edmundo deve parar? Nascido em 2 de abril de 1971, no Rio, Edmundo começou a carreira profissional no Vasco, em 1992. Dono de um ótimo vigor físico e uma explosão quase mortal, o jogador logo despertou o interesse de outros times. Em 1993, ele deixou o Rio para atuar no futebol de São Paulo. Foi jogar no Palmeiras, time então turbinado pelo dinheiro da Parmalat. No Palestra Itália, Edmundo caiu no gosto da torcida e viveu um de seus melhores momentos na carreira. Conquistou títulos do Paulistão e do Brasileirão, mas também criou muitos desafetos. Brigas tornaram-se comuns na vida do jogador. No Palmeiras, Edmundo teve desavenças com Vanderlei Luxemburgo, Antonio Carlos, Evair e Rincón. Em 1995, Edmundo ficou famoso por chutar uma câmera de televisão na partida entre Palmeiras e Nacional-EQU pela Copa Libertadores. O jogador chegou a ter a prisão decretada no Equador. No mesmo ano, o atacante se transferiu para o Flamengo - fez parte do famoso time com Romário e Sávio, naquele que ficou conhecido como "pior ataque do mundo". Novamente no Rio, o atleta passou por um dos maiores dramas de sua vida. Na zona sul da capital carioca, Edmundo se envolveu num acidente automobilístico que causou a morte de três pessoas. O jogador foi condenado, já em 1999, a quatro anos e meio de prisão. Depois de sua passagem pelo Flamengo, Edmundo teve uma pequena baixa no futebol. Ele voltou a brilhar em 1997, quando conquistou o título do Campeonato Brasileiro pelo Vasco, numa final contra o Palmeiras - segundo o atleta, este foi o melhor ano de toda a sua vida. E não foi apenas em clubes que Edmundo deixou a sua marca. Na seleção brasileira, ele conquistou a Copa América de 1997 - esteve no Mundial de 1998, vencido pela França. Ele foi escalado por Zagallo para o lugar de Ronaldo no jogo final, no jogo famoso pela convulsão do Fenômeno. Em 2000, novamente no Vasco, Edmundo frustrou os torcedores cruzmaltinos ao perder um pênalti na final do Mundial de Clubes da Fifa contra o Corinthians - a partir deste jogo, perder pênaltis tornou-se uma sina na carreira do atacante. Depois do Vasco, a carreira de Edmundo entrou em declínio. Com a idade avançando e o histórico de problemas, o jogador passou a ter a porta fechada nos grandes clubes. Ele só voltou a ter destaque em 2005, quando fez uma boa participação no Campeonato Brasileiro pelo Figueirense. Os bons ares de Santa Catarina trouxeram o atleta novamente para o Palmeiras. Edmundo jogou no Palestra Itália em 2006 e 2007, outra vez sob os gritos de: "Au, au, au, Edmundo é Animal". Mas com a chegada de Luxemburgo, seu desafeto, o atacante não teve o contrato renovado e voltou para São Januário. Neste ano, já sem Romário, Edmundo comandou o ataque até a noite da última quarta-feira, quando perdeu o pênalti contra o Sport Recife pela Copa do Brasil. O jogador, então, raspou o cabelo, ficou careca, e definitivamente colocou sua carreira para as páginas da história - pelo menos até o encontro com Eurico Miranda.

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