Edu troca tudo por amor à Mooca

São poucos os casos de amor entre clube e treinador. Deixar de dirigir equipes de primeira no País e abrir mão de propostas tentadoras é fato raro numa profissão onde, a qualquer tropeço, o cargo está ameaçado. Edu Marangon contrariou todas as regras do futebol para se dedicar ao clube do bairro onde nasceu, a Mooca. Sem perspectivas de reforços de peso e com pouco dinheiro a investir, aceitou convite do Juventus e hoje comemora a realização de um projeto ousado e ambicioso. Agência Estado - Qual seu sentimento após a realização deste projeto? Edu - Gratificante. Sempre tive afinidade com o Juventus, meu time de coração e onde comecei a jogar. Recuperamos um patrimônio da Mooca, um ponto chave do bairro que estava apagado. AE - Sente-se recompensado? Edu - Claro. Nos primeiros jogos, só 50 pessoas vinham aos jogos. Hoje, cerca de 1.500 pessoas nos prestigiam, coisa que não acontecia há um bom tempo. Sem contar a procura por escolinha, pelo amador. Reativamos algo que estava quieto. AE - Muitos creditam a você a volta do time à Primeira Divisão. Pensa assim? Edu - Não posso ser considerado o responsável. O grupo sim. Eu conhecia a história do clube, seu passado. Eles não. E mesmo assim compraram a idéia, a aposta de subir com o Juventus. AE - Mas teve grande participação. Concorda? Edu - Uma parcela boa, pois montei o time e tive participação na escolha dos jogadores certos e por fazê-los andarem bem. Mas repito: dentro de campo é com eles. AE - Você recebeu muitas propostas para sair e ficou. Por quê? Edu - Não adianta parar um projeto pela metade. Tenho contrato até 2006 e pretendo cumpri-lo. De que adianta aceitar proposta financeira melhor e dirigir time em dois jogos, levar duas porradas e acabar demitido.AE - Qual o segredo do sucesso? Edu - O bom ambiente vivido aqui. Podem até existir grupos como este, mas melhores duvido. É uma família, todos brincam, conversam e até ajudam quando alguém precisa de conselhos. AE - E como se sente tendo seu filho como auxiliar? Edu - Apesar de ter só 17 anos, o Vinícius dá palpites interessantíssimos, estuda informações de adversários, táticas, evoluiu muito. Sem contar a babada de pai. Ele vai fazer faculdade de Educação Física e curso de técnico na Itália. Só espero que na volta não me derrube (risos).

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