Eduardo Paes reclama do preço dos ingressos e ameaça clubes

Presidente da Suderj fica revoltado com valores impostos por Flamengo e Fluminense no Maracanã

Leonardo Maia, Agência Estado

15 de janeiro de 2008 | 19h04

O presidente da Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro (Suderj) e secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes, resolveu comprar briga com Flamengo, Fluminense e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). Responsável pela administração do Maracanã, ele considera abusivo os preços dos ingressos estabelecidos para os jogos no estádio durante o Campeonato Carioca, que começa no próximo sábado. E, inclusive, ameaça retaliar caso os valores não sejam revistos.  A Ferj estabeleceu preço base de R$ 20 para todos os jogos do Campeonato Carioca. No Maracanã, porém, haverá três faixas diferentes: as arquibancadas comuns sairão por R$ 30; as brancas, por R$ 40; e as cadeiras especiais custarão R$ 120. Apenas as cadeiras de campo (antiga geral) sairão pelo valor de R$ 20. "Um preço desses é inaceitável", reclamou Eduardo Paes. "Ainda mais com o acordo de fidelidade que temos com o Flamengo e Fluminense, que reduziu a quase zero os custos dessas equipes para jogar no Maracanã." Os dois clubes - que mandarão todos os seus jogos do Campeonato Carioca no estádio - pagaram no último ano R$ 5 mil por partida para utilizar o Maracanã. Antes do acordo, a taxa chegava a R$ 80 mil. "Não quero soar populista, mas não faz sentido aumentar os preços com os custos caindo. O Estado não quer prejudicar os clubes, mas também quer o melhor para os torcedores e estamos abrindo mão de muito dinheiro", afirmou Eduardo Paes. "Em última análise, os dirigentes não se preocupam muito com isso, pois o ônus recai sobre os bobões aqui." Eduardo Paes anunciou também que neste ano os mandantes de jogos no Maracanã precisarão obedecer a uma série de exigências. Não mais serão vendidas entradas em dias de jogos e haverá meia-entrada em todos setores do estádio. Ainda será estipulado um limite de 10% da carga total de ingressos para ser distribuído de graça.  "Estivemos perto de um acidente muito grave no Campeonato Brasileiro, pois todos aqueles com direito à gratuidade entravam no estádio mesmo depois que a capacidade máxima havia sido alcançada", lembrou o secretário. Eduardo Paes irá se encontrar nesta quarta-feira com os presidentes da Ferj (Rubens Lopes), do Flamengo (Márcio Braga) e do Fluminense (Roberto Horcades) para tentar um acordo amigável - caso contrário, as altas taxas de aluguel do Maracanão voltarão a vigorar. "Resolvi jogar duro. A única coisa que não melhorou no Maracanã nos últimos anos foram as questões relacionadas a ingressos (venda, distribuição, contabilidade), que não é de nossa responsabilidade", disse o secretário. "Se não fizerem uma reflexão desses valores, não vou renovar o acordo de fidelidade."

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