Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Eleição para presidente do Corinthians pode acabar na Justiça

Andrés Sanchez, Antônio Roque Citadini e Paulo Garcia tiveram acusações contra suas candidaturas e disputa política corre o risco de terminar nos tribunais

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2018 | 20h56

O jogo deste sábado - clássico com o São Paulo - é o último do Corinthians sob a gestão Roberto de Andrade. No sábado que vem, ocorrerá a eleição para definir o novo presidente, mas possíveis impugnações não permitem assegurar que o vencedor da disputa assume o cargo logo após o pleito. Dos cinco candidatos, três deles têm a candidatura ameaçada: Paulo Garcia, Antônio Roque Citadini e Andrés Sanchez. Caso um dos três seja o vencedor, há chance dos derrotados entrarem com recurso questionando a legalidade do resultado. O Estado entrou em contato com os candidatos para saber o que pensam do assunto e todos demonstram preocupação com a possibilidade da disputa continuar nos tribunais.

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Paulo Garcia é acusado de compra de votos. O empresário admite que pagou para alguns associados inadimplentes regularizem suas situações, mas nega que tenha sido com viés eleitoreiro. “Estão me acusando de compra de votos, mas na ocasião eu nem tinha lançado minha candidatura. Eu não era candidato. No final de semana em questão, na sexta-feira, dia 01 de dezembro a noite, a diretoria do Corinthians baixou um decreto para os associados inadimplentes regularizarem suas mensalidades (400,00 reais para sócios individual e 600,00 para sócios familiares). O Rachid (Antônio Rachid é conselheiro vitalício do clube) me informou de toda essa situação que estava acontencendo no clube e ele próprio entrou em contato com algumas chapinhas falando que eu pagaria os inadimplentes caso alguém quisesse. Foi citado que se um dia eu viesse a ser candidato ficaria a critério de cada um em votar em mim ou não”, disse o empresário.

Ele garante, porém, que não pediu voto a ninguém. “No dia 02, sábado, chamei os candidatos Romeu Tuma e Roque Citadini e mostrei que estava pagando as mensalidades de alguns associados, em torno de 30, com o meu cartão e declarei no imposto de renda. Fui o primeiro a ir na Comissão Eleitoral e pedir a impugnação do direito de voto desses associados beneficiados por uma regra do clube. Não acho justo também com todos os outros sócios que pagaram suas mensalidades em dia. Porquê eu estou sendo acusado de compra de votos e os outros candidatos que fazem churrasco, festas, distribuição de camisetas, não são?”, indagou.

Andrés Sanchez também é acusado de comprar votos. A comissão investiga a informação de que um cheque no valor de R$ 500 mil em nome do empresário Carlos Leite foi usado para quitar a situação de sócios inadimplentes. Segundo a oposição, a chapa da situação – na qual, Andrés faz parte – já constava com 800 carteirinhas quitadas e mais 400 que estavam próximas de serem regularizadas. Andrés nega.

“Lamento muito que ao invés de os candidatos mostrarem suas propostas, alguns ficam buscando caçar outras candidaturas. Isso prejudica não só a imagem do Corinthians externamente, como também atrapalha o clube internamente. Tem candidato que infelizmente não está se preocupando com o Corinthians. Por não ter como debater prefere esse caminho. Qual é a história desse candidato, o que fez pelo Corinthians? Acredito ser importante, a democracia é assim, ter oposição, mas precisa ter consciência, se você não consegue atingir seu objetivo, não deve tentar destruir a imagem dos outros e isso não leva a lugar nenhum. Eu prefiro o debate das urnas e deixar para o sócio escolher o que deseja e quem deseja que comande o clube pelos próximos três anos”, afirmou.

Antônio Roque Citadini é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e não poderia assumir a presidência por ter um cargo público. Ele chegou a ter a candidatura impugnada, mas conseguiu uma liminar para participar do pleito. “Não preciso tratar desse assunto com o Tribunal, eu conheço o assunto, não preciso me aposentar. Eles confundem, porque a legislação fala em uma equiparação, mas não é o Tribunal de Contas ao Tribunal de Justiça”, comentou. “Provavelmente, tem o envolvimento de um ou outro, torcida de alguém, sei lá. A minha candidatura e a do Andrés querem que a eleição saia o quanto antes, pois são as duas chapas mais fortes”, emendou.

Ezabella não chegou a ser denunciado, mas no clube questiona-se o fato dele ter sido eleito para o Conselho em 2007 sem ter cinco anos como sócio e por ter sido advogado do meia Elias e conselheiro do clube ao mesmo tempo. “Fui advogado de algumas questões pessoais do Elias e de sua família, mas nunca com algo que envolvesse o clube. Quando ele voltou para o Corinthians, movíamos uma ação de cobrança de salários atrasados contra o Sporting, que foi arbitrada na FIFA. E o retorno dele ao clube foi realizada diretamente entre os clubes, sem intermediação. Isso constou, inclusive, em contrato, para a preservação de todos. Sobre a eleição para o Conselho, já aconteceram questionamentos anteriores sobre essa história, que tem mais de 10 anos. A própria diretoria do clube decidiu que não há mais nada para falar sobre o assunto”.

Por fim, Romeu Tuma Júnior não chegou a receber nenhuma denuncia. O delegado lamentou que a disputa eleitoral tenha chegado nesta situação. “Tratam o Corinthians como clube de bairro. Acho lamentável que alguns candidatos continuem priorizando projetos pessoais em detrimento do Corinthians. O clube está cheio de problemas para serem resolvidos e precisa de um Presidente que se dedique integralmente a isso e não que arrume mais imbróglio tentando acumular cargos e judicializando as eleições e desrespeitando as Leis e o Estatuto. Juram amor ao Corinthians mas na verdade só querem o Poder por interesses pessoais. Se eu não for o vencedor, o que não acredito, minha ação legal será entregar meu plano de governo que está registrado em Cartório e acompanhar dia a dia o que ele vai fazer”, assegurou.

 

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