Norberto Duarte/ AFP
Norberto Duarte/ AFP

Eleição presidencial da Associação Uruguaia de Futebol é adiada

Votação vai ocorrer dia 21 de agosto e adiamento foi definido em meio a um ambiente de desconfiança de que houve crimes em gravações clandestinas que foram feitas de Wilmar Valdez, ex-presidente da AUF.

Estadao Conteudo

01 Agosto 2018 | 19h44

A Associação Uruguaia de Futebol (AUF) resolveu adiar para 21 de agosto a eleição do seu novo presidente. A decisão foi tomada pela assembleia de clubes, sendo que a votação deveria ter ocorrido na noite de terça-feira.

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O adiamento foi definido em meio a um ambiente de choque e enquanto a promotoria convocava dirigentes e jornalistas esportivos para determinar se houve crimes em gravações clandestinas que foram feitas de Wilmar Valdez, presidente da AUF até segunda-feira.

Antes de uma eleição em que ele aparecia como favorito, Valdez renunciou ao seu cargo e também desistiu de buscar um novo mandato. "Motivam esta decisão razões estritamente familiares e pessoais, que nada têm a ver com o contexto da atual campanha eleitoral", afirmou o dirigente, por meio de uma carta de renúncia divulgada pelo site oficial da entidade que controla o futebol uruguaio.

Nesta mesma carta, Valdez garantiu que não existiu nenhuma "pressão indevida, ameaça ou extorsão" que o obrigou a deixar a presidência. Entretanto, vários jornalistas e dirigentes revelaram que um áudio, com declarações do cartola de teor comprometedor, deixaram o mandatário em situação delicada como presidente da AUF.

Valdez, inclusive, reconheceu no último domingo, em entrevista ao Canal 10, do Uruguai, a existência dos áudios e disse estar arrependido pelas declarações que vieram a público. "Do que me arrependo é de ter falado de determinadas pessoas em determinado contexto, em uma conversa privada em que na verdade nunca imaginei que estavam me gravando", afirmou.

Ao mesmo tempo, porém, Valdez minimizou a importância destas gravações para a sua renúncia ao cargo máximo do futebol uruguaio. "Este tema dos áudios não foi um tema decisivo em minha determinação de retirar a minha candidatura (à reeleição), somente foram decisões familiares e particulares", disse.

No entanto, a promotoria do país decidiu investigar se há um caso possível de extorsão ou outro crime no escândalo de áudio. O próprio Valdez, o dirigente e candidato a presidir a AUF Arturo del Campo e o jornalista Julio Ríos foram convocados pela promotora Silvia Pérez para explicar suas ações em torno das gravações.

Del Campo e Eduardo Abulafia são os candidatos na disputa pela presidência da AUF, ainda que não esteja descartado o surgimento de um novo candidato.

Valdez, de 53 anos, havia chegado à presidência da entidade em 2014 depois da renúncia do seu antecessor, Sebastián Bauzá. Este último se viu obrigado a sair do cargo depois que uma decisão do então presidente do Uruguai, José Mujica, deixou os jogos de Peñarol e Nacional, dois principais clubes do País, sem segurança policial disponibilizada pelas autoridades.

 

 

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