Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Eleito, Andrés Rueda quer resgatar credibilidade do Santos e recuperar finanças

'Aos poucos, a gente vai colocando a casa em ordem', afirmou o presidente em entrevista ao 'Estadão'

Leandro Silveira, Estadão Conteúdo

12 de dezembro de 2020 | 20h58

"O sócio não pode errar nessa eleição, o Santos não aceita erro nesse momento". A frase foi dita diversas vezes por Andrés Rueda durante a campanha para uma eleição inédita no clube, com seis candidaturas. E foi ele quem saiu vencedor neste sábado, em uma votação realizada na Vila Belmiro, na sede da Federação Paulista de Futebol e virtualmente na internet. Escolhidos pelos sócios para dirigir o clube durante o triênio de 2021 a 2023, agora ele passa a carregar a esperança dos torcedores de que não erre à frente do clube.

Esta foi a segunda participação de Rueda em uma eleição presidencial no Santos, sendo que em 2017 ele perdeu para José Carlos Peres, que sofreu impeachment há menos de um mês. E chegou a fazer parte do Comitê de Gestão durante parte dos mandatos de Modesto Roma Júnior e do próprio Peres.

Matemático, com especialidade em engenharia de sistemas e experiência em gestão, Rueda terá como vice José Carlos Oliveira na chapa União Pelo Santos. E definiu Walter Schalka, José Renato Quaresma, Ricardo Campanário, Dagoberto Oliva, Vitor Sion, Rafael Leal e José Berenguer como demais membros do Comitê de Gestão.

Agora vai encarar a gestão de um clube com graves problemas financeiros. O balanço do primeiro semestre de 2020 apontou que as dívidas chegaram aos R$ 538 milhões. E, mais preocupante, as dívidas de curto prazo, a serem pagas até junho de 2021, eram de R$ 256 milhões. Diante desse cenário, promete colocar as contas em dia e atuar para recuperar a credibilidade.

"Precisamos acertar despesas ordinárias com receitas ordinárias. Teremos de fazer ajustes, gastar apenas o que temos de receitas correntes. Renegociar prazos e redução de juros com os credores. Mostrar credibilidade ao mercado destinando parte da receita extraordinária para abater as dívidas. Aos poucos, a gente vai colocando a casa em ordem", afirmou, em entrevista ao Estadão, dias antes da eleição deste sábado.

Recentemente, Rueda emprestou dinheiro como pessoa física ao clube - 1,5 milhão de euros (aproximadamente R$ 9,2 milhões, na cotação atual) - para pagar a dívida com o Hamburgo, por Cleber. Naquele momento, o Santos buscava ficar livre da punição imposta pela Fifa, que impedia a realização de contratações e posteriormente voltou a ser adotada, mas em razão de outras dívidas. E ele fez o repasse do valor ao time, então presidido interinamente por Orlando Rollo, que o apoiou na eleição e compôs a sua chapa de conselheiros na eleição deste sábado.

Aquela ação, porém, foi definida por ele como extrema. E garantiu que não pretende repetir na sua gestão, a não ser que o Santos corra o risco de levar uma punição esportiva. "Isso não é solução para o clube. Foi um caso muito pontual, com o risco de perda de pontos e rebaixamento. Somente em casos extremos, como esse, se deve ajudar com o clube", disse.

Com posse marcada para o início de janeiro, Rueda assumirá o Santos em meio ao Campeonato Brasileiro, marcado para terminar apenas no final de fevereiro. E, evidentemente, não fará mudanças profundas, ainda mais que fez elogios a Cuca durante a campanha - de acordo com a sua visão, ele se inclui no perfil desejado, o de um treinador que aposta em um time ofensivo, que valoriza a base e não tem reclamado publicamente das condições financeiras ruins da equipe.

O agora presidente eleito também fez elogios durante a campanha ao projeto de construção de uma arena pela WTorre no local onde está a Vila Belmiro, mas apresentou restrições sobre a proposta apresentada, como a participação nas receitas do estádio que a construtora teria. Tende, assim, a buscar uma negociação em melhores condições.

Rueda prometeu, ainda, reservar parte das receitas extraordinárias, aquelas obtidas com vendas de jogadores e premiações, para investimentos na estrutura para as divisões de base, além do pagamento das dívidas. E, como legado, espera entregar ao sucessor um clube melhor do que o atual.

"Além de ter reestruturado o clube na parte financeira, administrativa e no futebol, o nosso grande objetivo é deixar como legado para as próximas administrações para que possam dar uma continuidade nas melhorias no Santos e não começando do zero", concluiu.

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