Peter Powel/EFE
Peter Powel/EFE

Eliminações de seleções com posse de bola põem em xeque o 'tiki-taka'

Dono do estilo que conquistou o mundo, Espanha, por exemplo, caiu na Copa da Rússia com 75% no fundamento

Reuters

04 Julho 2018 | 05h00

Quando a Espanha conquistou a Copa do Mundo de 2010 mantendo a posse de bola com um cuidado quase infinito, uma nova máxima se inscreveu no manual de sabedoria adquirida do futebol: mantenha a bola e troque muitos passes e você vencerá a partida. Tamanho foi o domínio do time elegante de Vicente del Bosque, cuja devoção aos passes e à movimentação também o ajudou a conquistar a Euro 2012, que poucas vozes se ergueram para discordar. A posse de bola passou a ser louvada como o auge da evolução técnica e tática do esporte.

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Quem sentisse necessidade de mais provas era instruído a observar o Barcelona de Pep Guardiola, que manteve o domínio da liga espanhola e da Liga dos Campeões durante alguns anos a partir de 2009.

Mas se a Copa do Mundo da Rússia ensinou algo, foi que a posse de bola não é mais lei no futebol, e o que chegou a ser visto como a única rota para a glória mundial agora parece um atalho. Espanha, Alemanha e Argentina, as três seleções que mais seguraram a bola na Rússia, disseram adeus.

Os espanhóis passaram em média 69% do tempo com a bola em seus quatro jogos, chegando a 75% na partida de oitavas de final contra os anfitriões. Mas isso não se traduziu em gols. A Alemanha chegou como campeã mundial, mas partiu após a fase de grupos com uma média de 67% de posse de bola em suas três partidas, com duas derrotas e somente uma vitória.

 

Os argentinos não se saíram muito melhor, sofrendo em suas três primeiras partidas e parando logo no primeiro mata-mata, quando foram eliminados pela França, com uma média de 64% de posse de bola.

Mas talvez seja cedo para decretar a morte dessa técnica — o Manchester City de Guardiola conquistou o título inglês sem dar aos seus oponentes muito mais do que um vislumbre da bola em muitos jogos.

O problema é que o próprio Guardiola não acredita no tiki-taka e na ideia de manter a bola apenas por manter. O treinador detesta a modinha que derivou do conceito de trocar passes e segurar a bola. Esse descontentamento foi revelado pelo jornalista e escritor espanhol Martí Perarnau, autor do livro Guardiola confidencial, publicado no Brasil pela editora Grande Área.

“Em todos os esportes coletivos, o segredo é sobrecarregar um lado do gramado para que o adversário ajuste sua defesa. Você sobrecarrega um lado, os atrai para lá, e eles deixam o outro lado fraco. É por isso que você tem de passar a bola, mas somente com uma intenção clara. É disso que nosso jogo precisa. Nada a ver com tiki-taka”, disse Guardiola.

 

 

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