Eliminatórias: violência assusta Fifa

O fim de semana de violência em vários jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006 colocou a Fifa em estado de alerta. Incidentes considerados como "graves" pela entidade máxima do futebol foram registrados em sete partidas disputadas em três continentes diferentes. A Fifa, em Zurique, abriu investigações sobre a questão da segurança em vários estádios. Para completar, a entidade precisou entrar em negociações para que o governo de Israel permitisse que jogadores palestinos pudessem sair de seu território para disputar uma partida das Eliminatórias.O caso mais sério de violência ocorreu no jogo entre Togo e Mali, que resultou na morte de quatro torcedores, domingo, no Togo. Segundo a Fifa, representantes da entidade estão avaliando a situação com a federação local de futebol e com as autoridades do país para entender o que teria ocorrido e onde a segurança teria falhado. Em Guiné também houve mortes, no confronto entre a seleção local e Marrocos, pelas Eliminatórias africanas. Três pessoas morreram pisoteadas antes da partida começar na cidade de Conacri. "Tomaremos medidas duras se necessário", afirma um comunicado da entidade. Para o presidente da entidade, Joseph Blatter, tais incidentes devem "redobrar os esforços da Fifa para manter a segurança como prioridade em todos as partidas de futebol".A violência ainda marcou as partidas das Eliminatórias em outros países. Nos jogos Botsuana x Quênia e Panamá x Jamaica, os campos foram invadidos por torcedores. Já nos confrontos Malawi x Tunísia, Camarões x Sudão e Honduras x Canadá foguetes foram atirados dentro do estádio. E no duelo entre Macedônia e Holanda, atitudes racistas por parte dos torcedores também foram registradas.Na Europa, o pior incidente ocorreu na partida entre a Sérvia & Montenegro e Bósnia. Os dois países foram formados depois da fragmentação da Iugoslávia e os sérvios são acusados na Bósnia pela guerra que atingiu a região até 1995. No último fim de semana, foi a vez dos torcedores dos dois times se enfrentarem dentro de um estádio, durante o jogo que terminou 0 a 0.Política - Se não bastassem os problemas de violência, a Fifa foi obrigada a negociar com as autoridades israelenses a liberação de vistos para jogadores palestinos, que deveria participar, na quarta-feira, de uma partida das Eliminatórias em Taiwan.Diante do conflito entre israelenses e palestinos, a livre circulação dos árabes está comprometida, o que ameaçava a participação de todos os jogadores da seleção da Palestina. Com a demora nos vistos, a partida entre com Taiwan foi adiada para o dia 14, em Taipé. Para Blatter, é "lamentável" que a política, em alguns momentos, seja um obstáculo ao futebol.

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