Divulgação/ Corinthians
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Em 1979, Corinthians também teve imbróglio com a TV na final do Paulista

Campeonato de quatro décadas atrás foi repleto de polêmicas, que levaram a decisão para o início de 1980

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 08h00

O imbróglio envolvendo o Campeonato Carioca deste ano e a transmissão dos jogos pela TV não são novidades no futebol brasileiro. Em 1979, a final do Campeonato Paulista entre Corinthians e Ponte Preta também teve problemas e o terceiro jogo não foi transmitido ao vivo e nem teve gravação integral da partida.

O Paulistão de quatro décadas atrás foi repleto de polêmicas, que levaram a decisão para o início de 1980. Vicente Matheus, então presidente do Corinthians, não aceitou participar de uma rodada dupla no Morumbi, pela segunda rodada da segunda fase, na qual o time de Parque São Jorge iria enfrentar a Ponte Preta na preliminar, enquanto Palmeiras e Guarani fariam o jogo de fundo.

Segundo o polêmico dirigente, o Corinthians não poderia ser prejudicado, pois sua torcida era maior que as dos outros três times juntas. "Por que temos que dividir com os outros, se o comunismo ainda não veio? Podemos perder os pontos, posso perder até a presidência, mas o que não podemos é vender o torcedor corintiano para os outros."

O Corinthians não entrou em campo, a disputa foi para os tribunais e a Ponte acabou sendo declarada vencedora do jogo por 1 a 0. Toda esta confusão adiou as partidas semifinais, o Palmeiras que tinha a melhor equipe, treinada por Telê Santana, perdeu o embalo no ano seguinte e acabou eliminada por Sócrates e Palhinha em uma semifinal emocionante, com direito a gol de canela de Biro-Biro.

Na final, diante da Ponte, Matheus não chegou a um acordo com as redes de televisão e corintianos e ponte-pretanos que não foram ao Morumbi ver o terceiro jogo tiveram de se contentar com a transmissão no rádio e ouvir os gols de Sócrates e Palhinha. "Há também filmes do terceiro jogo, do Canal 100", disse o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, autor do Almanaque do Timão, que conta a história do Corinthians.

"Os clubes negociavam raríssimos  jogos, entre eles, sempre as finais. Não tinha futebol na TV toda hora, não. E quem decidia isso eram os presidentes dos clubes envolvidos", lembrou Unzelte. Se há 40 anos os torcedores só foram ver os melhores momentos do jogo depois, os fãs atuais de Flamengo e Fluminense, pelo menos, têm a opção de acompanhar ao vivo na internet. 

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