Em 1989, o invicto Palmeiras acabou eliminado pelo Bragantino no Paulistão

Time do técnico Leão foi derrotado por 3 a 0 e perdeu a chance de pôr fim ao jejum de títulos

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2014 | 19h35

SÃO PAULO - A tarefa do Palmeiras na reta final do Campeonato Paulista de 1989 parecia fácil: empatar com o Bragantino fora de casa para manter a liderança do triangular do Grupo D das quartas de final. Com isso, o time alimentava o sonho de colocar ponto final ao jejum de 13 anos sem títulos. Mas o Palmeiras, comandado pelo técnico Leão, que estava invicto havia 23 jogos, não resistiu à pressão da equipe de Bragança Paulista e acabou derrotado por 3 a 0. Era 10 de junho, portanto, há 25 anos. Foi o único revés que o Palmeiras amargou naquele torneio.

"O Palmeiras foi espetacular durante todo aquele campeonato. E fizemos até uma boa partida lá, em Bragança, nada que precise contestar", disse ao Estado o técnico Leão, hoje sem clube. Ele estava certo, pois a derrota em Bragança Pauoista foi um "acidente de percurso", como ele mesmo frisou à época. Até a partida contra o Bragantino, em 23 jogos, o Palmeiras havia vencido 14 confrontos e empatado nove vezes.

O time, inclusive, já havia enfrentado a equipe do Interior em duas oportunidades do Paulistão de 1989. Na primeira fase, empatou por 1 a 1 fora de casa. Na ocasião, o líder do campeonato conquistou a Taça dos Invictos ao chegar à 20.ª partida sem perder. Depois, já no triangular, bateu o Bragantino por 2 a 0 no Pacaembu, com gols do Ponta Mauricinho e do volante Júnior.

"O que afetou foi o ambiente da última semana, a rivalidade entre os jogadores e um falatório desagrável", relembra Leão. Segundo o treinador, alguns atletas se desentenderam já na partida de São Paulo, quando o Palmeiras ganhou. Na ocasião, o clima de guerra foi declarado.

O Palmeiras jogava com Edu Manga e Neto no meio de campo, ao lado dos volantes Júnior e Gérson Caçapa. O zagueiro Darío Pereyra, em fim de carreira, atuava ao lado de Toninho. Na frente, tinha Gaúcho, que iniciou o jogo no banco de reservas, e Marcus Vinicius. O Bragantino, que viria a ser campeão paulista em 1990, já contava com o lateral-direito Gil Baiano, autor do primeiro gol, de falta, aos 29 minutos do primeiro tempo. Pouco depois, Zé Rubens ampliou. Na etapa final, o centroavante Gallo deu números finais à partida.

O técnico era Vanderlei Luxemburgo, em começa de carreira e de fama.

"Eles foram muito felizes, jogaram sua melhor partida no campeonato", disse Leão. A equipe palmeirense, após a derrota, ficou com três pontos na chave, que ainda contava com o Novorizontino. O Bragantino, por sua vez, acabou com quatro. Era preciso, então, vencer o Novorizontino em casa e torcer para um tropeço do rival. O time, contudo, apenas empatou sem gols na despedida do campeonato.

O fim do jejum palmeirense ocorreria dali a quatro anos, no dia 12 de junho de 1993. O time liderado por Evair, Edmundo e Edilson, além de Vanderlei Luxemburgo no banco de reservas, derrotou o arquirrival Corinthians por 4 a 0 após perder a primeira final do Campeonato Paulista.

FICHA TÉCNICA DO JOGO DE 1989

BRAGANTINO 3 X 0 PALMEIRAS

BRAGANTINO - Paulo César; Gil Baiano, Júnior, Nei e Biro-Biro; Souza, Valmir e Zé Rubens; Ivair, Gallo (Gatãozinho) e Luís Müller (João Batista). Técnico: Wanderley Luxemburgo

PALMEIRAS - Velloso; Édson Boaro, Toninho, Dario Pereyra e Abelardo (Gaúcho); Júnior, Gérson Caçapa (Eraldo) e Edu; Mauricinho, Marcus Vinicius e Neto. Técnico: Émerson Leão

GOLS - Gil Baiano, aos 29, e Zé Rubens, aos 33 minutos do primeiro tempo. Gallo aos 15 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Luís Carlos Antunes (SP)

CARTÕES VERMELHOS - Gatãozinho (Bragantino), Edu (Palmeiras)

RENDA - NCz$ 54.674,00

PÚBLICO -  9.778 pagantes

LOCAL - Estádio Marcelo Stéfani, em Bragança Paulista (SP).

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