Fábio M. Salles/Estadão
Fábio M. Salles/Estadão

Em 1990, Alemanha fatura Copa marcada por futebol pobre

Alemães fazem valer sua tradicional eficiência em competição disputada na Itália

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

O Mundial da Itália foi um dos piores da história em nível técnico. Várias seleções privilegiaram a marcação, com a escalação de vários volantes. Pouca criatividade. O torneio teve a menor média de gols de um mundial (2,21) e a maior quantidade de empates (e de empates sem gols) da história dos Mundiais. O Grupo F, formado por Holanda, Inglaterra, Egito e Irlanda, foi o símbolo da mediocridade, pois cinco jogos terminaram empatados. Com isso, o time classificado foi definido por sorteio. Em sua última participação como nação dividida, a Alemanha levantou a taça com um futebol coeso e organizado. Os alemães não tiveram grande brilho, mas foram eficientes. 

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Aos 29 anos, Matthäus jogou o seu terceiro Mundial na condição de peça-chave. Meia ou líbero, ele foi o responsável pela organização da equipe e pela articulação ofensiva. Mesmo não sendo um artilheiro nato, fez quatro gols na Copa, o mais importante deles na vitória sobre a Checoslováquia nas quartas de final. Foi líder de uma geração. 

A surpresa foi a Iugoslávia, que foi dividida em seis repúblicas após a queda do Muro de Berlim -, ficou marcado pelo surgimento de uma nova geração de jogadores talentosos. Na equipe titular, destacava-se o meia Dragan Stojkovic. O banco de reservas contava ainda com atletas que brilhariam no futebol mundial nos anos seguintes, como Suker, Jarni, Savicevic, Prosinecki e Boksic. A única derrota da seleção foi para a campeã Alemanha Ocidental, na primeira fase. O time foi eliminado nas quartas de final pela Argentina, após decisão nos pênaltis. 

A seleção brasileira chegou motivada por causa da conquista da Copa América no ano anterior. Pela primeira vez, a seleção brasileira utilizou maioria de jogadores que atuavam no exterior para formar a sua equipe. Na época da Copa, 12 atletas jogavam fora do país. Mas o time treinado por Sebastião Lazaroni foi uma decepção. Com um futebol burocrático e sem criatividade – nenhum meia de criação foi convocado -, o time alcançou as oitavas de final, onde teve sua melhor atuação contra a Argentina, mas foi eliminado com derrota por 1 a 0, com passe de Maradona para Caniggia. Foi o início da era Dunga, marcada pela marcação e disciplina tática.

FICHA TÉCNICA DA FINAL

ALEMANHA OCIDENTAL 1 x 0 ARGENTINA

ARGENTINA - Goycoechea; Simón, Serrizuela, Ruggeri (Mónzon) e Lorenzo; Basualdo, Burruchaga (Calderón), Troglio, Sensini e Maradona; Dezotti. Técnico: Carlos Bilardo.

ALEMANHA - Illgner; Augenthaler, Berthold (Reuter), Buchwald e Kohler; Brehme, Matthaus, Habler e Littbarski; Völler e Klinsmann. Técnico: Franz Beckenbauer.

GOLS - Brehme, aos 40 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Troglio, Dezotti, Voller.

CARTÕES VERMELHOS - Dezotti, Monzón.

ÁRBITRO - Edgardo Codesal (México).

PÚBLICO - 73603.

LOCAL - Estádio Olímpico de Roma.

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