Em 1993, Palmeiras acaba com jejum de títulos e inicia nova era

Com direito a goleada sobre o Corinthians, Alviverde conquista o Paulista de 93 e, finalmente, solta o grito preso na garganta

Daniel Batista, Diego Salgado, Glauco de Pierri e Gustavo Zucchi, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2014 | 06h00

O dia 12 de junho de 1993 nunca vai sair a memória de todos torcedores do Palmeiras. Uma vitória sobre o maior rival, o Corinthians, fez com que um tabu que já durava quase 17 anos chegasse ao fim e o Palmeiras voltou a levantar um troféu e deu início a uma fase espetacular, com a equipe formada pela Parmalat.

O fato é que os palmeirenses sentiram que começaram a ganhar o jogo após o gol de Viola, na primeira partida da decisão. A comemoração inusitada do atacante, que imitou um porco, serviu como um ingrediente para o técnico Vanderlei Luxemburgo

"Todo mundo ficou irritado ao ver o Viola comemorando daquele jeito. A gente sabia que ele era irreverente, mas com nós, sempre incomoda mais, né? Usamos aquilo como motivação. O Vanderlei (Luxemburgo) foi muito feliz na preleção ao lembrar disso", disse o atacante Edmundo, uma das estrelas daquele fantástico time. Para ser campeão, o Palmeiras precisava vencer no tempo normal e na prorrogação. Por isso, partiu ao ataque e aos 36 minutos do primeiro tempo abriu o placar com Zinho. Pouco depois, o zagueiro Henrique, do Corinthians, foi expulso.

No início do segundo tempo, Edmundo saiu cara a cara com Ronaldo e foi derrubado. O goleiro do Corinthians foi expulso e o árbitro José Aparecido de Oliveira expulsou também o zagueiro Tonhão, por supostamente ter dado uma cabeçada no goleiro corintiano. Com os ânimos menos exaltados, o Palmeiras ampliou a vantagem com Evair, aos 28 da etapa final e Edílson marcou o terceiro no tempo normal. "Não é novidade que tínhamos um elenco que brigava muito entre si e que era cheio de discórdias, mas o grupo também era consciente do que queria e sabia que precisávamos nos ajudar em campo. Éramos um time de alto nível, então ficava mais fácil jogar, mesmo com esse clima", disse Edmundo.

Na prorrogação, mesmo cansado, o time alviverde não desistiu de acabar com o jejum de título. Ezequiel, volante do Corinthians foi expulso e deixou o rival com apenas oito em campo. Evair, em cobrança de pênalti, bateu com estilo e garantiu a vantagem alviverde. “Sempre o Sampaio vinha e falava uma frase no meu ouvido. Neste, ele demorou para vir. Eu pegava distância, olhava para os lados e ele não aparecia. Mas ele veio e disse: ‘vai em nome de Jesus’", lembra Evair.

E com sua categoria habitual, Evair marcou e garantiu a festa da torcida palmeirense, que ficou tanto tempo com o grito de campeão preso na garganta. O Palmeiras levantava a taça com uma campanha de respeito. Foram 38 jogos, 26 vitórias, seis empates e seis derrotas.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 4 X 0 CORINTHIANS

PALMEIRAS: Sérgio; Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair (Alexandre Rosa).

Técnico: Vanderlei Luxemburgo

CORINTHIANS: Ronaldo; Leandro, Marcelo, Henrique e Ricardo; Ezequiel, Marcelinho, Paulo Sérgio e Adil (Tupãzinho, depois Wilson); Viola e Neto.

Técnico: Nelsinho Batista

LOCAL: Morumbi, em São Paulo

DATA: 12/06/93

ÁRBITRO: José Aparecido de Oliveira

RENDA: Cr$ 18.154.900.000,00

PÚBLICO: 104.401 pagantes

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