Matilde Campodonico/AP
Matilde Campodonico/AP

Em alta na seleção,Tite aposta na 'gestão de pessoas'

Com sete vitórias em sete jogos e pouco tempo para treinos, técnico mantém rotina de contato com jogadores e não economiza nas visitas aos clubes

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2017 | 07h00

Ser apenas técnico é pouco. É preciso ser gestor de pessoas. E essa habilidade é uma das virtudes de Tite no comando da seleção brasileira, na opinião dos próprios jogadores. Em sete jogos nas Eliminatórias da Copa foram sete vitórias e atuações muito convincentes para quem tem pouquíssimo tempo para conviver e treinar o elenco antes de cada compromisso.

Os nove meses do treinador na seleção brasileira ofereceram a Tite o desafio de não ter o cotidiano de quem estava acostumado a trabalhar em clube. Os treinos diários, a chance de conversar com cada atleta e ter jogos em sequência fazem falta à rotina dele. Para solucionar essa situação, o treinador procura telefonar para os jogadores e viajar para acompanhar partidas em estádios, para se manter em contato com esse ambiente de competição.

Quando fala com os atletas por telefone, Tite procura passar confiança, entender a forma como jogam no clubes e incentiva a busca por aperfeiçoamento físico, inclusive com a contratação de profissionais para auxiliar no condicionamento e na alimentação. “Os jogadores entenderam a necessidade de estarem comprometidos. Todos se apresentaram à seleção muito bem, com baixíssimo porcentual de gordura”, disse o técnico.

Nos dias de preparação para os jogos das Eliminatórias o técnico se preocupa bastante em se comunicar. Antes de enfrentar o Uruguai foram somente dois treinos com o elenco completo. A agenda apertada da seleção lhe obriga a investir em outras formas de ajeitar a equipe, não só com o trabalho de campo. “Conversamos muito para ficarmos organizados e aproveitarmos cada minuto dos treinos. Nossa seleção tem absorvido o que o Tite fala”, disse o zagueiro e capitão Miranda.

O treinador considera a equipe ainda em formação, por ter apenas sete partidas disputadas. Se somados os dias de preparação para cada um desses compromissos pelas Eliminatórias, a seleção brasileira da era Tite tem menos de um mês de convivência. A comissão técnica entende que pelo pouco tempo, ainda não conseguiu conhecer todas as características de cada atleta.

“O Tite já conseguiu passar bem o que ele queria, apesar de alguns jogadores saírem, sempre quem entra, consegue manter o padrão do time”, disse o meia Renato Augusto, ex-comandado de Tite no Corinthians. Após a goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai, o treinador afirmou que a maior satisfação era ter visto os atletas colocarem em prática a filosofia pedida. “No vestiário todos comemoravam o desempenho e não o resultado. Os jogadores estão focados em jogar bem”, disse.

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