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Em campo, Nike supera Adidas na Copa do Mundo pela primeira vez

Empresa americana patrocina dez seleções do mundial, contra nove da rival

Jamil Chade - Correspondente, O Estado de S. Paulo

28 de maio de 2014 | 08h48

GENEBRA - A Adidas pode ser a dona da bola da Copa. Mas, em campo, é a Nike quem manda. Pela primeira vez, a empresa americana aparece em um Mundial em uma melhor condição que a empresa alemã e tradicional parceira da Fifa. No total, a Nike patrocina dez das 32 seleções contra nove da rival. Além disso, tem contratos com seis dos dez jogadores mais famosos do mundo.

Para analistas, o que a Copa está gerando é uma disputa sem qualquer tipo de limites entre as duas maiores marcas do esporte. A americana Nike não esconde: sua meta é a de usar o Mundial no Brasil para finalmente superar a Adidas no mercado mundial do futebol.

Segundo um levantamento do grupo de pesquisas Repucom, do setor de marketing, a Nike é a maior do mundo no segmento esportivo. Mas foi só nos últimos dez anos que passou a olhar o futebol como prioridade e, agora, quer tomar o lugar que por décadas foi da Adidas.

Um ponto fundamental dessa competição é o fato de a Copa ser realizada num país onde a seleção nacional é patrocinada pela Nike. A empresa americana acredita que já superou a Adidas em venda de chuteiras, até no mercado alemão. Na seleção alemã, nove dos onze titulares usam chuteiras da Nike.

Dos dez jogadores com maior apelo comercial do mundo, seis são patrocinados pela Nike, inclusive o líder incontestável do ranking, Cristiano Ronaldo. Mais de 83% dos entrevistados indicam que o reconhecem como jogador. Os dados mostram sua popularidade internacional, com 82 milhões de seguidores no Facebook e 26 milhões no Twitter.

Em 2013, o Real Madrid vendeu um recorde de mais de 1 milhão de camisas com o nome de Cristiano Ronaldo. A Nike o pagou mais de US$ 9,5 milhões para fazer suas promoções.

BRASIL

Quem também reforça o time da Nike é Neymar, que vai para sua primeira Copa do Mundo, mas já é o sétimo jogador no mundo com o maior valor e apelo comercial do planeta. O levantamento indicou que o brasileiro já supera Casillas, Ibrahimovic e outros tantos e ameaça até mesmo a posição do astro inglês, Wayne Rooney.

Num pesquisa realizada em 13 mercados em diferentes regiões do mundo, o instituto descobriu que 53% dos entrevistados sabiam quem era Neymar. O brasileiro ainda tem 22 milhões de seguidores no Facebook e 11 milhões no Twitter.  Neymar, em 2013, ainda assinou um contrato para ser sócio da Nike em uma linha de produtos e tem contrato até 2022. O homem que levou Neymar para o Barcelona, Sandro Rosell, havia sido o diretor da Nike para o Brasil anos antes.

Do lado da Adidas, a empresa patrocina nove seleções, incluindo a Espanha, Argentina e Alemanha. Além disso, ampliou o acordo que mantém com a Fifa até 2030. A empresa alemã ainda tem em suas "fileiras" o argentino Lionel Messi, considerado como o segundo jogador com maior apelo comercial do mundo.

RIVALIDADE

O clima de rivalidade entre as duas maiores empresas de material esportivo do mundo é tanto que chega ao ponto de atletas patrocinados por uma delas não poder pronunciar o nome da outra. A situação ficou evidente na entrevista coletiva do goleiro Julio Cesar, da seleção brasileira. Quando questionado sobre a bola da Copa do Mundo, produzida pela Adidas, ele, que é patrocinado pela Nike, deu a sua opinião sem citar o nome da empresa.

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