Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Em caso de racismo, Esportivo recebe multa e perde cinco mandos

Clube é punido após ofensas ao árbitro Márcio Chagas da Silva em 5 de março

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 22h15

SÃO PAULO - O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul definiu a perda de cinco mandos de campo e uma multa de R$ 30 mil ao Esportivo pelas injúrias raciais sofridas pelo árbitro Márcio Chagas da Silva no jogo entre contra o Veranópolis, no Estádio Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, do dia 5 de março. O clube gaúcho, que não perderá pontos nem será expulso do torneio, outras punições previstas no regulamento, ainda pode recorrer. O árbitro Márcio Chagas não quis comentar a decisão.

 

O julgamento teve duração de mais de quatro horas. O auditor-relator Paulo Abreu abriu a votação decidindo pela aplicação das penas máximas ao clube, exlcusão do campeonato e multa. Paulo Nagelstein votou pelo pagamento de multa de R$ 20 mil e perda de mando de campo em 5 jogos. Álvaro Paganotto seguiu o voto do relator. O auditor-presidente Marcelo Castro votou na aplicação de multa de R$ 30 mil e perda do mando de campo de 5 jogos para o Esportivo.

 

O procurador Alberto Franco havia denunciado o Esportivo pelo fato de o árbitro Márcio Chagas ter sido chamado de "macaco safado" e ter ouvido expressões como "volta para a selva, negro" vindas de área destinada a associados do Esportivo. Além dos xingamentos antes, no intervalo e após o jogo, Márcio Chagas encontrou seu carro amassado, arranhado e com bananas sobre o capô e o teto. Segundo a promotoria, o carro do árbitro estava em local de acesso restrito determinado pelo clube.

 

Na terça-feira, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, disse que não lhe cabia tomar atitude disciplinar contra o clube e afirmou que gostaria de ver o tribunal "dar exemplo" ao coibir atos de racismo, corriqueiros no futebol do Estado de acordo com o árbitro Márcio Chagas. Na quarta-feira, porém, falando em nome do TJD, o presidente Roberto Pimentel alegou que o tribunal não tem de ser "severo, forte ou leniente".

 

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