Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Em clássico tenso, Corinthians derrota o Palmeiras com gol de Danilo Avelar

Gol no começo do primeiro tempo define jogo que teve Deyverson expulso por cusparada em Richard

Gonçalo Junior, Estadão Conteúdo

02 de fevereiro de 2019 | 19h26

Com a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras no Allianz Parque, Fábio Carille mostrou que os sete meses na Arábia Saudita não chamuscaram seu talento. Depois de perder em casa para o Red Bull e começar a ser questionado, o treinador conseguiu resgatar o histórico espírito de luta do time e, mais do que isso, suas origens táticas. Ele armou o Corinthians para marcar muito e aproveitar a chance que tivesse, como foi no título brasileiro de 2017. O craque do clássico de ontem, o primeiro teste de verdade do Paulistão para os dois gigantes paulistas, foi Fábio Carille.

"A entrega dos jogadores foi fundamental, a briga. Isso estava faltando. Estou feliz. A gente começa a resgatar aquilo do Corinthians de brigar e de lutar. Agora passamos para outra etapa, de jogar mais, ficar com a bola...", disse o treinador.

A trajetória pessoal de Carille está inserida em um contexto maior. Foi a quarta vitória do Corinthians em sete clássicos disputados na nova arena do Palmeiras. O pesadelo palmeirense com o novo revés para o rival ficou estampado na expulsão de Deyverson no fim do jogo por ter cuspido em Richard, como gesticulou o árbitro Luiz Flávio de Oliveira ao aplicar o cartão vermelho. Seguramente, alguns jogadores palmeirenses reviveram o drama do ano passado, quando perderam o título em casa na polêmica decisão.

Em termos práticos, a vitória vale três pontos como qualquer outra partida, como destacou Felipão na entrevista, mas tem um valor importante para o que vem por aí. Vencer o rival fora de casa dá moral para a sequência do torneio. Carille voltou.

Ele não inventou a roda para vencer o clássico no Allianz. Fez o arroz com feijão. Fez o que já havia feito em 2017 para ser campeão brasileiro. Armou o time para defender muito bem, ser forte no meio-campo e atacar quando fosse possível. Em vários momentos, ele reviveu o famoso esquema 4-1-4-1.

A atuação da equipe, no entanto, esteve longe de ser a quinta maravilha. Depois de ter feito o gol, logo aos 7 minutos, com Danilo Avelar - ainda não é o momento de falar sobre o herói do jogo -, o Corinthians se retraiu. Ficou nas cordas. Só chutou uma vez ao gol do Palmeiras no segundo tempo. Isso é muito pouco. Antes disso, havia perdido para o Red Bull em casa jogando muito mal. Apático. E Carille reconheceu isso. "A gente tem muito o que melhorar ainda. Recuamos muito após o gol, no segundo tempo, e tivemos pouco poder de reação", avalia.

Agora sim, o autor do gol da vitória: Danilo Avelar. Criticado pela torcida, o lateral teve ontem sua reviravolta pessoal. Foi seguro na parte defensiva, mesmo diante do endiabrado Dudu, o melhor do Brasileirão 2018, e fez o gol da vitória, aproveitando rebote após cabeçada de Gustagol. "Se eu fosse tão ruim assim, não teria jogado nenhuma partida. Críticas fazem parte", respondeu o autor do único gol. 

Até Carille defendeu o lateral. "Não sei porque pegam o cara para Cristo. Vocês da imprensa fazem parte disso. Ele é um ser humano. É o jogador mais regular na minha passagem."

CONFIRA O RELATO DA PARTIDA

No primeiro teste de verdade do Campeonato Paulista, o Corinthians venceu o Palmeiras por 1 a 0, neste sábado, no estádio Allianz Parque, em São Paulo. O herói do jogo foi o contestado lateral-esquerdo Danilo Avelar, que marcou logo aos 7 minutos do primeiro tempo. Com o triunfo, o time alvinegro se recupera da derrota em casa para o Red Bull Brasil na última rodada.

Já o Palmeiras sofreu a primeira derrota no torneio e perdeu uma invencibilidade de 13 jogos, considerando a temporada passada. Foi a quarta vitória do Corinthians em sete clássicos disputados na nova arena do clube alviverde.

No primeiro duelo entre os treinadores Fábio Carille e Luiz Felipe Scolari, o corintiano levou a melhor apostando no esquema vitorioso em 2017: força defensiva e eficiência nas raras oportunidades criadas. O time abriu o placar e se fechou na defesa. O time de Felipão teve maior posse de bola, fez vários cruzamentos na área, mas teve poucas chances efetivas. Faltou criatividade.

O clássico foi quente, com seis cartões amarelos e um vermelho, para o atacante Deyverson, e repleto de discussões. Nem de longe parecia um jogo do início da fase de classificação.

A escolha de Fábio Carille por Mateus Vital, pelo lado direito, e Sornoza, centralizado, revelou uma proposta de jogo do Corinthians: recompor o meio de campo, marcar forte e valorizar a posse de bola. Era uma ideia aparentemente defensiva que escondia, na verdade, uma armadilha. Com a região central congestionada, o Corinthians pressionava a saída de bola, tentando explorar o erro dos zagueiros na saída de bola.

Foi assim que o time abriu o placar aos 7 minutos. Após cobrança de falta de Sornoza, Gustavo cabeceou e Weverton fez grande defesa, mas a bola sobrou para Danilo Avelar, que abriu o placar. A origem de todo o lance foi uma marcação forte na saída de bola que obrigou o zagueiro Gustavo Gómez a errar. No primeiro ataque, o Corinthians conseguiu explorar a habilidade de Gustavo para cabecear - ele conseguiu vencer a concorrência de Boselli e Vagner Love e começou o clássico como titular. Foi apenas o segundo gol que o Palmeiras sofreu em 2019.

O time alviverde respondeu em seguida. Apostando sempre no lado esquerdo, buscando a aproximação entre Dudu, Diego Barbosa e Lucas Lima, o time acertou a trave após a finalização de Dudu, que desviou na zaga.

A boa chance foi o símbolo do domínio territorial do time da casa. Tomando a iniciativa do jogo, o Palmeiras sempre rondava a área do rival. O time conseguiu finalizar com mais perigo depois que Felipão inverteu a posição de Dudu, que foi jogar pela direita. A mudança foi fundamental para que as chances se tornassem mais frequentes. Na casa dos 30 minutos, foram duas. Borja e Carlos Eduardo finalizaram na pequena área, mas desperdiçaram as boas oportunidades.

Embora criasse boas chances, os palmeirenses mostraram irritação com o placar adverso em casa e a tentativa do Corinthians de ganhar tempo em todas as cobranças. Com isso, Felipe Melo e Bruno Henrique receberam cartão amarelo.

A temperatura de 35 graus ao longo do primeiro tempo prejudicou o ímpeto do Palmeiras. Desempenhos individuais irregulares, como os de Lucas Lima e Carlos Eduardo, também prejudicaram o time. No caso de Carlos Eduardo, a torcida perdeu a paciência ainda no primeiro tempo com algumas vaias após uma sequência de jogadas equivocadas. No intervalo, ele acabou substituído por Felipe Pires.

Felipão mostrou que estava insatisfeito com o ataque quando também trocou Borja, que vinha perdendo o duelo individual com Manoel, por Deyverson. A torcida delirou, pois Dudu era o único atacante efetivo da equipe até então.

O Palmeiras conseguiu empurrar o rival para o campo de defesa. Não houve nenhuma chance evidente, mas continuava perto da área. Esse domínio ficava evidente em um lance específico: o time de Felipão venceu quase todas as disputas áreas no ataque, principalmente com Gustavo Gómez e Luan. A equipe visitante praticamente não finalizou no segundo tempo. Conseguiu organizar apenas um contra-ataque, aos 39 minutos, quando Gustavo quase marcou.

O final do jogo acirrou a tensão, presente em toda a partida. Além dos seis cartões amarelos, Deyverson foi expulso por ter cuspido no volante Richard. O lance foi um exemplo da irritação do Palmeiras com o placar adverso em casa para o maior rival.


FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 0 x 1 CORINTHIANS

PALMEIRAS - Weverton; Mayke, Luan, Gustavo Gómez e Diego Barbosa; Felipe Melo, Bruno Henrique (Gustavo Scarpa), Lucas Lima, Dudu e Carlos Eduardo (Felipe Pires); Borja (Deyverson). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

CORINTHIANS - Cássio; Fagner, Manoel, Henrique e Danilo Avelar; Ralf, Ramiro (Richard), Mateus Vital (Gustavo Silva), Jadson (Pedrinho) e Sornoza; Gustavo. Técnico: Fábio Carille.

GOL - Danilo Avelar, aos 7 minutos do primeiro tempo.

CARTÕES AMARELOS - Felipe Melo, Bruno Henrique e Mayke (Palmeiras); Jadson, Fagner, Danilo Avelar e Henrique (Corinthians).

CARTÃO VERMELHO - Deyverson (Palmeiras).

ÁRBITRO - Luiz Flávio de Oliveira (Fifa).

RENDA - R$ 2.716.603,30.

PÚBLICO - 38.550 pagantes.

LOCAL - Estádio Allianz Parque, em São Paulo (SP).

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