Em clima tenso, Palmeiras elege presidente nesta quarta

A noite desta quarta-feira promete ser de tensão na Academia de Futebol, na escolha do novo presidente do Palmeiras, para os próximos dois anos. No ginásio localizado dentro do CT do clube, as urnas eletrônicas estão prontas para receber os votos dos cerca de 280 conselheiros. Do lado de fora, as torcidas organizadas palmeirenses prometem protesto. Por isso mesmo, a segurança estará reforçada.

DANIEL AKSTEIN BATISTA, Agência Estado

19 de janeiro de 2011 | 08h42

As reclamações das torcidas já começaram antes mesmo do pleito. E as faixas não serão apenas contra o time de futebol e a administração de Luiz Gonzaga Belluzzo, que não conquistou nenhum título desde que assumiu o cargo de presidente do clube há exatos dois anos. O pedido é por eleições diretas no clube.

Ao contrário de alguns clubes, como o Corinthians, são apenas os conselheiros que escolhem o presidente do Palmeiras. E a torcida palmeirense quer que os associados também possam dar o seu voto. A briga atual para assumir o comando está entre dois candidatos da situação, Salvador Hugo Palaia e Paulo Nobre, e um da oposição, Arnaldo Tirone Filho - este último é considerado o favorito.

Ao contrário do que aconteceu dois anos atrás, quando Belluzzo lançou-se candidato único pela situação, agora houve um racha. Palaia se considerava o substituto natural do atual presidente, mas viu Paulo Nobre entrar na luta pelos votos e disparou reclamações para todos os lados.

Belluzzo não entendeu a postura de Palaia e rebateu as críticas. "Não assumi compromisso com ninguém (de dar apoio nas eleições). Ele está delirando. Aliás, ele foi infeliz nas declarações a meu respeito. Exemplo deplorável da miséria humana. Não estou com raiva, mas estou com pena", afirmou o presidente, em entrevista nesta terça-feira à ESPN Brasil.

Apesar de todos os problemas políticos, os candidatos falam em paz. "O novo presidente tem de mostrar uma nova dinâmica e ter transparência", disse Tirone, que conta com o apoio dos ex-presidentes Mustafá Contursi, Affonso Della Monica e Carlos Facchina Nunes. "Ganhando ou não, vou trabalhar pela pacificação", prometeu Palaia, que criticou duramente Paulo Nobre pelo racha na situação. "O Palmeiras tem tantos problemas e eu tenho de imaginar como resolvê-los que não dá para ficar me preocupando com o que ele (Palaia) falou", respondeu Paulo Nobre.

Em comum, os três candidatos não escondem que é preciso dar um jeito na parte financeira do clube, para diminuir as dívidas - segundo Belluzzo, o Palmeiras tem atualmente R$ 90 milhões em dívidas bancárias. E, por enquanto, todos eles falam em manter a base do time, inclusive o técnico Luiz Felipe Scolari. Mas se ganhar, Tirone vai reformular a diretoria e pode promover mudanças no futebol, que poderia incluir até troca de treinador.

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