Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Em crise, Rússia corta orçamento para Copa de 2018 em 10%

Governo garante que o ritmo das obras dos estádios não será afetado, mas Fifa fica em estado de alerta

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2015 | 12h06

O orçamento para a Copa de 2018 sofre um corte de 10% diante da crise e das sanções que atingem a Rússia. O ministro dos Esportes do país, Vitali Mutko, indicou que diversos programas serão cortados. Mas garante que os estádios estarão prontos e que a redução não afetará a qualidade da organização. Nos bastidores, a Fifa não esconde sua apreensão com a situação russa e com a pressão internacional contra Moscou por conta do conflito na Ucrânia. A entidade cedeu e já autorizou que dois dos estádios sejam menores que os planos iniciais.

"No que se refere aos gastos, como todos os demais ministérios, todos os programas sofrerão um corte de 10%", confirmou Mutko.

Em 2012, o orçamento previsto para a Copa do Mundo de 2018 anunciado foi de 664 bilhões de rublos. Na época, o valor correspondia a US$ 20,5 bilhões. Hoje, diante da desvalorização da moeda russa, o valor representa apenas US$ 10 bilhões. Metade desse dinheiro seria usada para a construção de infra-estrutura. 

Agora, porém, a ordem do Kremlin foi a de reduzir os gastos em todos os programas diante de uma crise que promete jogar a Rússia em recessão e de uma guerra na Ucrânia que ganha uma intensidade cada vez maior. Mutko já admitiu que seu ministério terá um déficit em 2015. Mas insiste que nada vai nem afetar a qualidade dos estádios e muito menos o número de sedes.

Segundo o ministro, que também é membro do Comitê Executivo da Fifa, o corte do orçamento ocorrerá em "vários itens organizacionais" e nos "subsídios dados ao comitê organizador local". Mutko, porém, não detalhou onde seriam esses cortes e quem teria de apertar os cintos.

REDUÇÃO

Outra medida acordada entre a Fifa e Moscou foi a redução da capacidade de dois dos doze estádios no país. De 45 mil lugares, duas das obras terão apenas 35 mil assentos. No Brasil, em 2014, a Fifa rejeitou a construção de locais dessa dimensão. O menor deles foi o de Curitiba, com capacidade para 42 mil pessoas.

Segundo Mutko, o corte nos lugares em dois dos estádios significa que a Fifa terá uma redução na renda prevista de US$ 60 milhões. "A Fifa não fará nenhuma nova concessão", declarou o ministro, indicando que a entidade não aceitará ter novas perdas com a renda dos ingressos.

No dia 25 de julho, os russos organizam em São Petersburgo o sorteio das eliminatórias para a Copa, no que promete ser o ponta pé inicial da Rússia no evento. Mas tudo indica que a festa vai ser marcada por um questionamento generalizado por parte da Fifa e dos parceiros comerciais sobre as finanças do Mundial.

No ano paseado, o presidente russo, Vladimir Putin, fez questão de declarar ao lado do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que o Kremlin não vai desistir de sediar a Copa, mesmo entrando em recessão e mesmo estando em guerra na Ucrânia. "Esse é um motivo a mais para o desenvolvimento da Rússia", disse.

CRISE

No final de 2014, a economia russa deu os primeiros sinais de que pode estar caminhando para uma recessão, enfraquecendo as pretensões do governo de resistir às pressões do Ocidente por conta do conflito na Ucrânia.

Dados oficiais do governo indicam que, em novembro, o PIB russo sofreu uma contração de 0,5%, a primeira queda desde outubro de 2009 e a primeira desde o auge da crise financeira.

Afetada pela queda nos presos do barril do petróleo e diante das sanções do Ocidente por conta da crise na Ucrânia, a Rússia já sente uma reviravolta em sua economia. Segundo o próprio ministério das Finanças, se o barril ficar abaixo de US$ 60,00 em 2015, a economia deve se contrair em 4% em 2015.

Mas não é apenas o petróleo que promete afetar a economia russa. As sanções ocidentais afetam ainda bancos e os setores ligados aos oligarcas que apoiam o Kremlin.

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