Em dia de tietagem, CPI foge do tema

Criada para investigar o contrato que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mantém com a multinacional de material esportivo Nike, a CPI da Câmara se superou em idolatria durante o depoimento do jogador Roberto Carlos, do Real Madrid (Espanha), na manhã desta quinta-feira. Durante as quatro horas em que depôs na comissão, o jogador, que foi convocado para explicar o mal-estar de Ronaldinho no dia da final da Copa de 98, foi coberto de elogios, perguntas, comentários e divagações distantes das investigações.O deputado José Lourenço (PMDB-BA), por exemplo, nada perguntou. Limitou-se a elogiar as atuações de Roberto Carlos. "Uma vez eu o vi jogar na Espanha e o considero muito bom. Eu estava vestindo a camisa da seleção do meu País e me orgulhei disso", afirmou o vascaíno Lourenço, que apesar de ser português, trajava a camisa do Brasil naquela ocasião.Chico Sardelli (PFL-SP) foi outro parlamentar que ficou enaltecendo Roberto Carlos. "Lembro de você ainda no União São João. Hoje, você um dos maiores jogadores do mundo", elogiou. A CPI, aliás, sempre é sucesso de público quando o depoente é uma estrela de primeira grandeza no futebol. Foi assim no depoimento de Edmundo e Ronaldinho e agora, com Roberto Carlos, não foi diferente. Até deputados que nunca apareceram antes, estiveram presentes nesta sessão. Ieda Crusius (PSDB-RS) chegou, assinou a lista de presença e não indagou o depoente uma vez sequer. José Genoíno (PT-SP), suplente do Bloco de Oposição, perguntou se Roberto Carlos tinha conhecimento de que Ronaldinho usava medicamentos para cuidar do joelho. "O único remédio deputado, é gelo", receitou o jogador.Mas a situação mais constrangedora ficou por conta da deputada Lúcia Cardoso (PMDB-MG), mulher do vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso. Desconhecida na CPI, ela teve de se identificar ao segurança para ocupar a bancada reservada aos parlamentares.Ao se despedir dos deputados, Roberto Carlos foi mais convincente quando perguntado se a Nike (e suas chuteiras) influenciava na atuação dos jogadores. "O problema não são as chuteiras. São os pés dos jogadores que não fazem gol", filosofou o lateral.A maneira com que alguns parlamentares trataram Roberto Carlos lembra um velho jargão esportivo: eles levantaram a bola para o lateral cabecear para o gol.

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