Gilvan de Souza/Divulgação
Gilvan de Souza/Divulgação

Em discurso, Luxa se amordaça e dispara contra censura da Ferj

Efeito suspensivo do treinador para foi revogado: 'Não vou me calar'

O Estado de S. Paulo

03 de abril de 2015 | 13h29

Na manhã desta sexta-feira, após receber a notícia da anulação do efeito suspensivo que o permitiria dirigir o time do Flamengo no clássico contra o Fluminense, Vanderlei Luxemburgo fez um pronunciamento com palavras firmes contra a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) e o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-RJ). No discurso, o treinador afirmou ter se sentido 'violentado e agredido como cidadão'. Luxemburgo foi suspenso por dois jogos por ter criticado o regulamento do Campeonato Carioca publicamente.

Após o anúncio da suspensão, o Flamengo conseguiu um efeito suspensivo no STJD, permitindo que o comandante dirija o Rubro-Negro do banco de reservas no Fla-Flu deste domingo. Entre a noite desta quinta e a manhã de sexta, porém, o caso sofreu uma reviravolta. O presidente do Superior Tribunal, Caio Rocha, acatou um pedido da Procuradoria do TJD-RJ e revogou o efeito suspensivo sob a justificativa de 'preservar a autonomia dos tribunais estaduais'.

Luxemburgo, aliás, afirmou que sequer estará no Maracanã no próximo domingo e assistirá ao jogo 'como torcedor', por ter negado seu direito de trabalhar. O treinador ainda disse que não mudará sua postura firme e crítica de ser, falando em 'ditadura' e 'agressão': "Não vou me calar". Ao fim da coletiva, colocou uma mordaça na boca em sinal de protesto.

No clássico, o Flamengo será comandado pelo auxiliar Deivid, em quem Luxemburgo garante ter plena confiança. Confira, na íntegra, o discurso do treinador.

"Conto com a colaboração de vocês para não ter perguntas, respeitando o meu momento. É só um pronunciamento em função das coisas que estão acontecendo. Acho importante meu posicionamento como cidadão e como profissional. Não é a primeira vez que fico fora de um jogo suspenso. Já aconteceu outras vezes e fui campeão, ganhei. Não vejo como problema para equipe, não vai existir algum tipo de prejuízo. Temos um processo trabalhado com o Deivid. É um situação do futebol, até por expulsão. Os jogadores sabem das nossas propostas. Já aconteceu uma situação em Macaé, onde o Paulo Victor não pôde atuar e tínhamos decisões. Por decisão minha, conversando com a presidência, se não posso estar no vestiário, não estarei no Maracanã, não vou ao jogo. Me senti prejudicado e não tem motivo para estar em um local onde não exercerei meu direito de trabalho. Vou ver o jogo como torcedor.

Agora, como cidadão, em um momento importante do Brasil, onde estivemos recentemente uma eleição para presidente da República com debates ferrenhos, acusações, ideias, movimentos ruins de violência, onde confundiram processo democrático com violência e a população não aceitou. Em seguida, tivemos movimentos democráticos a favor e contra o governo. O direito do povo brasileiro foi conquistado através de lutas para quebramos a ditadura, direito de se expressar sem repressão. Não pode, em 2015, em um órgão importante do Rio de Janeiro, voltarmos a viver um momento de ditadura.

Começamos lá atrás com a queda de um presidente e está na constituição o direito de liberdade de ir e vir, que não pode ser quebrado. Me senti violentado e agredido como cidadão. Já fiz muitas coisa que mereci ser punido. O que fiz foi buscar o melhor para o povo brasileiro. Em um momento onde tomamos uma derrota de 7 a 0 (7 a 1), busquei um caminho. Não me posicionei contra nenhum dirigente, mas contra qualquer federação que impeça jovens de jogar futebol. Quando usei o termo porrada, não era dar porrada na mão, foi um termo que usamos constantemente, vejo constantemente ser usado na televisão.

Não foi tentativa de mandar agredir ninguém. Não podemos buscar através do futebol a moralidade de um segmento que não tem moral. Como cidadão brasileiro, venho repudiar. Vou continuar sendo da forma que sempre fui e vou seguir criticando o que achar que deve ser criticado. Nunca fui de ficar atrás de nada. Vou continuar buscando viver em um país melhor e que minhas filhas e meus netos encontrem um processo democrático ainda melhor. Não vão me calar de jeito nenhum. Se quiserem me tirar do Carioca, que me tirem. Só vou me posicionar quando tiver o meu direito de liberdade."

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