Francisco Leong/AFP
Francisco Leong/AFP

Em duelo de técnicos lusitanos, Portugal e Irã disputam vaga nas oitavas

Seleção de Fernando Santos joga pelo empate contra Carlos Queiroz para se classificar

O Estado de S.Paulo

25 Junho 2018 | 05h00

Dois técnicos portugueses, uma vaga em jogo. Fernando Santos, de Portugal, e Carlos Queiroz, do Irã, se enfrentam nesta segunda-feira, às 15 horas, em Saransk, pela terceira rodada do Grupo B da Copa do Mundo. É briga direta pela classificação às oitavas de final da Copa do Mundo.

+ Contra o paredão do Irã, aposta na boa fase de Cristiano Ronaldo

+ Portugal vai com 'luta e entrega' para bater Irã e chegar às oitavas, diz técnico

+ Queiroz promete Irã forte contra Portugal: 'Não somos perdedores simpáticos'

Os europeus têm quatro pontos. Estão em segundo lugar no grupo, que é liderado pela Espanha, com o mesmo número de pontos. O Irã tem três pontos, na terceira posição. Quem ganhar se classifica. O empate favorece os portugueses. Marrocos, que encara os espanhóis, é o único da chave eliminado antecipadamente com duas derrotas.

Entre Fernando Santos, Carlos Queiroz e a vaga para a próxima fase, existe um certo Cristiano Ronaldo. O atacante é tratado com carinho e respeito pelo atual técnico, que o conhece bem. E carrega uma rusga com o treinador adversário, que o conhece tão bem quanto.

Queiroz conviveu com Ronaldo no início de carreira do jogador, no Manchester United. O então auxiliar-técnico da equipe inglesa deu as primeiras orientações para o talentoso atacante ganhar títulos e ser eleito o melhor do mundo. Deu certo. Cinco vezes o 'gajo' ganhou a Bola de Ouro. Muito mais pelo futebol do atleta do que pelas palavras do guru.

 

Mais tarde, Queiroz e Ronaldo trabalharam juntos na seleção de Portugal. Os dois mais maduros e estabelecidos. O atacante já não ouvia mais com a mesma atenção as diretrizes do comandante. E o técnico ficaria em posição inferior à do jogador. O estopim para o estremecimento da relação viria na Copa de 2010. A eliminação de Portugal para a Espanha nas oitavas de final não foi bem digerida. 

Após aquele jogo, Ronaldo criticou Queiroz, que deixou a seleção. Seguiram seus caminhos. O atacante continuou a ganhar títulos e a se manter no topo entre os melhores do mundo. Levou Portugal à conquista inédita da Eurocopa de 2016. O técnico assumiu a seleção iraniana. Organizou o time, com conceitos modernos. Classificou o país para as Copas de 2014 e de 2018. Mas continuou em posição inferior a Ronaldo.

O jogo desta segunda-feira é a chance de o treinador superar o jogador. Se vencer, Queiroz faz história ao levar o Irã para as oitavas de final pela primeira vez. Para o atacante, uma derrota coloca fim ao sonho dele de levar Portugal à inédita final de Copa do Mundo.   

Ronaldo já enfrentou os iranianos em Mundial. Foi em 2006, na fase de grupos. Aos 21 anos, fez o segundo gol da vitória lusitana por 2 a 0. Entre os 46 jogadores das duas equipes convocados para a competição na Rússia este ano, ele é o único que jogou aquela partida - o meia Masoud Shojaei, do Irã, também disputou o torneio, mas não jogou naquele dia.

Com todos esses ingredientes, a partida tem tudo para ser tensa, apesar da amizade de Fernando Santos e Carlos Queiroz. Esse ambiente amical, ficará de fora do confronto. "Nossa amizade estará de lado. Temos a humildade de reconhecer que é um jogo muito importante para todos. Será um jogo de muita entrega, muita luta, muita superação, como sempre demonstramos", afirmou o técnico de Portugal. "Temos um sonho. Não temos nada a perder. Eles têm muito a perder. Nós, não", disse o treinador do Irã.

Certo é que, ao fim dos 90 minutos, apenas um comandante português vai comemorar a classificação às oitavas de final da Copa da Rússia.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.