Daniel Rodrigues/Reuters
Daniel Rodrigues/Reuters

Em dúvida sobre culpado, Ministério Público pede nova perícia no crime de Oruro

Autoridades não estão convencidas de que o disparo tenha sido feito pelo menor que confessou o ato

Gonçalo Junior, colaborou Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

25 de abril de 2013 | 07h32

SÃO PAULO - O Ministério Público de São Paulo pediu uma nova perícia técnica para avaliar as imagens do disparo do sinalizador que matou Kevin Espada, no dia 20 de fevereiro, em Oruro. Motivo: as autoridades não estão totalmente convencidas de que o disparo tenha sido feito pelo menor que confessou a autoria do disparo e se apresentou cinco dias depois à justiça brasileira.

“A primeira perícia não conseguiu estabelecer a autoria do disparo com exatidão”, afirma o promotor Thales de Oliveira, responsável pelo caso. “Por isso, pedimos uma nova perícia que aí, sim, deve ser conclusiva.”

Os resultados da nova perícia, que devem ser divulgados na semana que vem, podem mudar radicalmente o rumo do processo, caso apontem que o menor não foi o responsável pelo disparo. O Ministério Público evita comentar a hipótese. Paralelamente à perícia brasileira, que se refere ao processo aberto aqui para julgar o caso, o Ministério Público da Bolívia vai encaminhar o fiscal de investigação Alberto Santos para ouvir o depoimento do menor no início de maio, provavelmente no Consulado da Bolívia. “Estamos aguardando a convocação do Ministério Público”, confirma Ricardo Cabral, advogado do menor e da torcida Gaviões da Fiel.

A presença da autoridade no Brasil é importante para o andamento do processo boliviano e pode influenciar diretamente na situação dos 12 corintianos presos em Oruro, acusados de envolvimento no disparo do sinalizador. “Se o promotor perceber que o depoimento do menor transmite credibilidade e confiança, ele poderá decidir pela liberdade provisória dos corintianos durante a continuidade do processo”, opina Thales.

A vinda de Alberto Santos foi decidida depois que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se reuniu com autoridades do governo boliviano no dia 17 de abril e questionou a situação dos corintianos presos. Defesa em Oruro. Os representantes da embaixada brasileira em La Paz afirmam que a defesa dos corintianos ainda não têm uma data definida para apresentação de um novo habeas corpus para garantir que os corintianos respondam ao processo em liberdade. Os diplomatas acreditam que os atrasos na resolução do caso Kevin – adiamento da reconstituição e troca do promotor responsável, por exemplo – estão em um contexto de aumento do controle da presença dos estrangeiros no País.

Desde o final do ano passado, está em vigor uma lei que determina a prisão dos estrangeiros sem documentação. Além disso, está em estudo um recenseamento de estrangeiros e até um sistema de rastreamento. O sistema foi importado de Cuba.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.