Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Em entrevista exclusiva, Brunoro faz um balanço do primeiro mês no Palmeiras

Dirigente diz que o clube não tem dinheiro, mas já consegue dar a Kleina um time. Diz que vai mexer nas bases e no programa sócio-torcedor

Daniel Batista e Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2013 | 17h49

SÃO PAULO - José Carlos Brunoro é o responsável por reconstruir o

Você acha que o mais importante é revelar jogadores ou ser campeão nas categorias de base?

Time grande não aceita só disputar campeonatos. Se você é competitivo, você tem chance de ganhar, mas o que não podemos é sacrificar alguém porque não ganhou um campeonato amador. O importante é o garoto ter dentro dele o espírito de vencedor. A nossa missão é formar jogador para o Palmeiras.

Palmeiras tem pago muitas comissões elevadas para empresários. Isso vai mudar?

Todos os clubes fazem isso. Encontrei um tipo de ação no Palmeiras que estou modificando pela formatação da Lei Pelé. Os jogadores querem que esse pagamento seja feito separado e não nos seus próprios vencimentos. Nós preferimos também, porque assim pagamos menos encargos. Mas agora a gente só fala com um procurador e não com quem tem direito a pé, cabeça e corpo do atletas (há vários jogadores com mais de um empresário). Só falamos com um. É norma.

O Palmeiras é um time sem dinheiro?

Sendo bem transparente, sim. Não temos nenhum tostão. O Paulo Nobre não quer fazer uma gestão temerária. Não temos dinheiro para investir em jogador classe A. Por isso fizemos algumas negociações que os torcedores não entenderam, mas que era fundamental para termos elenco, como as vendas de Barcos (Grêmio) e Luan (Cruzeiro). Eles trouxeram elenco para o time. Se o Barcos continuasse, ele não teria com quem jogar. Fizemos um grupo e começamos a ter uma cara de equipe. Estou tomando pé do marketing também, que é minha responsabilidade. Agora vamos contratar jogadores que possam ser rentáveis para o clube. A situação é dificil, não quero me ausentar da responsabilidade, até porque quem administrar o clube não pode ficar se lamentando. Temos de ir para dentro. O fato é que já temos elenco e um time com cara de Série B.  

Então está descartado reforço de peso?

Agora, sim, mas não vou descartar isso para a temporada. Assim que eu começar a mexer no marketing e no sócio-torcedor, vou atrás de jogador com potencial para que a imagem possa ser vendida. Temos de fazer projetos audaciosos, mas sabendo que esse projeto tem um custo também.

Um atacante está chegando?

Precisamos de um ou dois para completar o setor. O Kleber Gladiador não virá, está fora das nossas condições financeiras. O Marcelo Moreno ainda estamos analisando, mas também não é fácil por uma série de motivos. E não foi ele que criou toda aquela situação de não querer jogar no Palmeiras. Foi o pai dele, tanto que o Marcelo me pediu desculpas depois por telefone. Já recebi uns 400 nomes de jogadores que querem atuar no Palmeiras. Ainda bem que não entende de futebol e passo tudo isso para a comissão técnica (risos). 

E como anda a negociação de patrocínio master da camisa?

Quero ter uma radiografia completa do clube antes de definir as coisas, mas já temos algumas conversas. Cada coisa vai fazer parte de um plano maior. Sei que tenho camisa master para vender em maio, quando acaba o contrato com a Kia, mas as vezes você faz um projeto que dá para acrescentar outros valores que podem agregar mais ao parceiro. Quero que meu patrocinador tenha o máximo de retorno possível, porque aí ele vai ficar perene comigo. Por isso preciso dessa visão macro do departamento. 

O mercado está em alta, por causa de Copa do Mundo no Brasil, mas ao mesmo tempo o Palmeiras está na Série B. Como equilibrar isso?

Na verdade, não podemos nos esquecer que no futebol está tudo bem até você perder uma partida. Quero mudar isso no Palmeiras. Um jogo no Palmeiras não pode virar vida ou morte. Perdemos para o Penapolense e foi um escândalo. Mas o Corinthians perdeu no Pacaembu, o Santos perdeu com os titulares para o Paulista, o São Paulo também já perdeu e não aconteceu nada. Isso já começa a mudar no clube. E embora nosso objetivo seja a Série A, num determinada momento do Paulistão e da Libertadores, as competições passam a ser mata-mata, e isso pode nos dar uma chance. Então, nosso primeiro objetivo é se classificar entre os oito do Paulistão e ir para a segunda fase da Libertadores e aí tentar ir avançando. Mas o grande objetivo, repito, é subir para a Série A. 

Existe chance de as obras da Nova Arena pararem por causa de irregularidades administrativas?

Antes, quero retificar o que eu disse, meio sem pensar, que esse assunto era problema da WTorre. Isso na verdade. Esse assunto é problema do Palmeiras. Estamos nos movimentando para termos todas as negativas e documentações necessárias. Mas posso adiantar que não tem risco de parar a obra.

E o Valdivia? O que esperar dele neste ano?

Pelo menos desde o momento em que começamos a trabalhar juntos, ele tem sido super profissional. Ele nos disse de seus objetivos pessoais e nós falamos o objetivo do clube. Ele está cumprindo regiamente tudo o que foi combinado, porque quer voltar para a seleção chilena e se recuperar definitivamente. Temos carinho por ele porque ele é um ativo do Palmeiras. E posso garantir que ele quer ficar no clube e está fazendo o possível para se recuperar fisicamente. O Valdivia vai demorar um tempo para entrar em forma, mas estamos confiantes em seu desempenho.

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