Em esportes da neve, Brasil pode ter até nove atletas em Socchi

Brasileiros planejam preparação para as Olimpíadas de Inverno

Mateus Andrighetto Tamiozzo, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2013 | 18h43

SÃO PAULO - A quatro meses da Olimpíada de Inverno de Socchi, na Rússia, e com o início de importantes eventos na Europa, atletas brasileiros de esportes da neve concentram esforços para intensificar a preparação para fevereiro de 2014. Atualmente, dois atletas, do evento paralímpico, estão garantidos. Os demais buscam índices e manutenção de resultados. A data limite para assegurar vagas é 20 de janeiro de 2014. Atleta do snowboard cross, Isabel Clark tem uma importante vantagem em relação a adversárias de todo o mundo para conseguir o passaporte à olimpíada na Rússia. A brasileira ocupa a 14ª colocação no ranking mundial, aproximadamente 800 pontos à frente da 24ª colocada – última classificada para Socchi. Segundo informou a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), a atleta vai competir nas quatro etapas da Copa do Mundo da modalidade que antecedem os jogos em Socchi – Áustria, Canadá, Andorra e Suíça. O objetivo é continuar somando pontos e garantir a vaga, assegurada apenas pelo ranking. Isabel treina em Ushuaia, na Argentina.

No esqui cross country, o País tem direito a duas vagas – uma no masculino e outra no feminino. Leandro Ribela detém o melhor índice brasileiro e neste momento está classificado para Socchi. Ao Estado, afirmou ter iniciado a preparação em maio, ainda no Brasil, simulando técnicas da modalidade no asfalto, ao lado do preparador físico Roberto Carnevale. Com seus 15 pares de esquis, a partir de novembro Ribela estará na Suécia para intensificar o treinamento físico e técnico com o treinador Mattias Nilson. Em dezembro e janeiro, vai competir na Copa do Mundo e outros eventos tradicionais na Áustria e Itália. "Estou bem mais preparado e mais maduro", destacou Ribela, sobre a expectativa para a Olimpíada.

Entre as mulheres do esqui cross country, o índice está nas mãos de Jaqueline Mourão. A atleta, que vive no Canadá e hoje treina nos Estados Unidos, entra para a lista de brasileiros em Socchi também pelo índice. A luta de Jaqueline envolve ainda uma vaga no biatlo. Caso conquiste a vaga, será dona de um feito único no Brasil: terá cinco participações em olimpíadas em três modalidades diferentes – Jaqueline também praticou Mountain Bike. As definições, porém, devem ficar para o fim de janeiro, dias antes do começo das olimpíadas. Quanto às competições, deve seguir os mesmos passos de Ribela, mas participará também da Copa do Mundo de biatlo.

No esqui alpino, dois atletas já possuem índices. As vagas são de Jhonathan Longhi, no masculino, e Chiara Marano, no feminino, mas os dois ainda têm concorrência. No masculino, Tobias Macedo é um dos principais competidores nacionais. Fábio Guglielmini, jovem promessa, está lesionado. Entre as mulheres, Chiara trava uma disputa acirrada com Maya Harrisson. Longhi e Chiara treinam e vivem na Itália, enquanto Maya e Guglielmini concentram-se na Suíça. Macedo mora nos Estados Unidos. Os atletas devem participar de provas até o fim de janeiro, todas na Europa. Como forma de preparação, as ginastas Lais Souza, que teve duas participações em Olímpiadas de Verão, e Joselaine Santos fazem treinamentos de esqui áereo nos Estados Unidos. Pela vaga, disputam a Copa do Mundo da categoria entre o começo de dezembro e o fim do período pré-olímpico, com duas provas na China, duas nos Estados Unidos e uma no Canadá. As atletas retornam ao Brasil no começo de outubro para treinar no CT da CBDN em São Roque, interior de São Paulo.

PARALIMPÍADAS

Os únicos brasileiros garantidos são André Cintra, atleta do snowboard cross adaptado e Fernando Aranha, que compete no esqui cross country adaptado. Atualmente, Cintra é 19ª melhor atleta do mundo na modalidade – apenas o ranking é considerado. Entre o fim de novembro e o começo de dezembro, vai treinar nos Estados Unidos e fará provas na região do Estado do Colorado. Como o período de classificação para o snowboard cross adaptado já está fechado, o brasileiro estará em Socchi. Já Fernando Aranha mostra resultados positivos desde sua primeira competição oficial, no final do ano passado. Na ocasião, ficou a segundos de garantir o índice da prova para Socchi. Assim como em 2012, vai treinar e competir na Suécia, onde concentram-se a maioria das provas da modalidade.

 

INVESTIMENTO

A CBDN afirma oferecer apoio aos atletas. O superintendente técnico da confederação, Pedro Cavazzoni, destacou que a entidade faz planejamentos para cada equipe e propõe condições técnicas de desenvolvimento das atividades. Em volume financeiro, a CBDN recebe parte dos 2% arrecadados em loterias esportivas destinados à COB . Em 2013, o valor deve ficar em torno de R$ 1,3 milhão.Entre os atletas, Ribela, por exemplo, afirma ter apoio da confederação para financiar viagens. O auxílio que recebe do Bolsa Atleta e do programa Solidariedade Olímpica, do Comitê Olímpico Internacional (COI) é destinado à contratação de treinadores, preparadores e compra de equipamentos para competição. O programa do COI é voltado principalmente a atletas de países em desenvolvimento no esporte ou atletas com índices olímpicos em países sem tradição em determinadas modalidades. A meta da CBDN em Socchi é superar 70% dos resultados de Vancouver, em 2010: "O principal objetivo é fazer a melhor campanha da história". O Brasil nunca conquistou medalhas em Olimpíada de Inverno.

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