Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Em fase turbulenta, CBF respira aliviada com avanço do Brasil na Copa do Mundo

Entidade temia que eventual vexame aumentasse pressão em cima do seu trabalho

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 17h42

Com um suspiro de alívio. Foi assim que a cúpula da CBF viveu a classificação do Brasil para a próxima fase da Copa do Mundo, consumada com vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia, em Moscou, depois de Argentina ter se classificado às oitavas de final sob grande tensão e a Alemanha dado adeus ao Mundial com um grande vexame ao ser derrotada pela Coreia do Sul.

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Internamente, era considerado que uma saída precoce do Brasil da Copa do Mundo derrubaria o muro que blindava a cúpula da CBF e abriria uma crise que poderia levar a uma situação inédita dentro da entidade que comanda o futebol brasileiro.

Para opositores, uma eliminação poderia finalmente permitir uma mudança na gestão da entidade, depois que seus três últimos presidentes foram indiciados e, ainda assim, o grupo no poder se manteve intacto. A queda no Mundial ainda frustraria os planos dos dirigentes de promover uma transição suave de poder para que o grupo que está no poder continue dando as cartas.

A turbulência vivida pela CBF teve início em 2015, com a prisão de José Maria Marin. Marco Polo Del Nero deixou de viajar por estar indiciado e, em 2017, foi banido pela Fifa. Mas o cartola teve tempo de organizar sua sucessão e contou com os bons resultados do time de Tite nas Eliminatórias da Copa para frear a pressão.

 

Assim, assumiu o cargo de forma interina o coronel Antônio Nunes, colocado no cargo de vice-presidente dias antes para poder cumprir a função de interino. Del Nero também organizou uma eleição com um único candidato, seu aliado Rogério Cabloco, que assumirá a presidência em abril de 2019.

Mas, mesmo internamente, o plano apenas era viável se a seleção tivesse um bom desempenho na Copa, abafando o processo eleitoral questionável da CBF.

Antes mesmo de começar o jogo contra a Sérvia, na manhã desta quarta-feira, o sentimento era de tensão entre os dirigentes brasileiros, que já temiam a repetição do empate contra a Suíça ou o sofrimento contra a Costa Rica. "Estamos com medo", admitiu um dos vice-presidentes da CBF. Rogério Cabloco, presidente eleito, também não disfarçava seu nervosismo, enquanto o presidente atual, coronel Antônio Nunes, apertava o passo para não ter de falar sobre a seleção.

 

 

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