Em festa, S.Paulo muda para chegar à final

Luís Fabiano, que não gosta muito dos microfones, deu entrevista pacientemente hoje, atrasando-se até para participar da parte final do treino físico - levou, por isso, bronca do preparador Carlinhos Neves. Rogério Ceni, que não se preocupa em fazer o tipo bonzinho, atendeu aos repórteres tranqüilamente, esbanjando bom humor. Os portões do Centro de Treinamento abriram-se para a imprensa sem atraso. Que São Paulo é esse? A resposta vinha no semblante dos próprios atletas e componentes da comissão técnica. A classificação para a Libertadores de 2004 parece ter tirado das costas de cada um o peso de toneladas. O técnico Roberto Rojas, sem grande elenco nas mãos, conseguiu pôr o time na competição. Rogério Ceni vai disputar, como titular, sua primeira Libertadores, depois de anos de tentativa. "Não há nada tão gostoso no futebol como jogar a Libertadores", disse o goleiro. Luís Fabiano acha que a pressão vai acabar e o presidente Marcelo Portugal Gouvêa comemora: cumpriu a promessa de campanha e, agora, vê suas chances de reeleição aumentarem. Tudo ótimo no Morumbi. Ou quase. O torcedor ainda não está completamente satisfeito. Quer o título da Copa Sul-Americana. Seria o fim de ano ideal para o clube, que amargou derrotas em 2002 e fracassos em 2003, como a perda do título paulista para o rival Corinthians. A missão, no entanto, é bastante complicada. Para alcançar a final, o time terá de derrotar o River Plate quarta-feira, no Morumbi, por três gols de diferença ou ganhar por dois e levar a decisão para as cobranças de pênalti. Consciente de que só atacando a equipe pode obter algum sucesso, Rojas resolveu, enfim, abrir mão do esquema retrancado, com três zagueiros, três volantes e apenas um atacante. Além de Luís Fabiano - que cumpre suspensão no Brasileiro -, escalará Diego Tardelli na frente. E dois jogadores serão os responsáveis pela armação das jogadas: Souza e Gustavo Nery. O único meio-campista com a exclusiva função de marcar será Adriano. Carlos Alberto deverá ir para o banco e Jean retorna no lugar de Edcarlos. Embora a competição não seja das mais importantes ou tradicionais, os atletas sabem que a conquista fará parte do currículo e dará mais tranqüilidade para que prossigam o trabalho em 2004. Por isso, passaram os últimos dois dias convocando o torcedor para lotar o Morumbi. "Acredito no mínimo em 30 mil pessoas. Isso não ocorrerá se chover muito em São Paulo", opinou Rogério. "O resultado é completamente reversível, desde que a gente faça um bom jogo. Não podemos repetir a partida que fizemos na Argentina ou no domingo contra a Ponte Preta. Aí vai ser muito difícil." A diretoria colocou mais de 49 mil ingressos à venda e apostava, há algumas semanas, que conseguiria ver quase 50 mil são-paulinos empurrando o time no estádio. Só que a derrota por 3 a 1 em Buenos Aires, na semana passada, mudou um pouco esse pensamento. De qualquer maneira, é esperado bom público quarta-feira. "A torcida pode esperar. Vai ser um time diferente do jogo da Argentina. Vamos ao ataque para fazer 3 gols. Quando o time mais precisa, eu estou ali para fazer os gols", declarou o confiante Luís Fabiano.

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