Em greve, Sãocarlense pode não jogar

A situação do Grêmio Sãocarlense antes da última rodada da Série A-2 do Campeonato Paulista é desesperadora. Os jogadores, insatisfeitos com o atraso de dois pagamentos e meio estão em greve desde segunda-feira (25) e o presidente do clube, José Antonio Rosa, o Zecão, não sabe se o time entrará em campo sábado (30), às 15 horas, na Rua Javari, em São Paulo, para enfrentar o Juventus. "O momento é delicado", afirmou Rosa, que, nesta sexta-feira, tentará um empréstimo da Federação Paulista de Futebol (FPF), pois com empresários e a prefeitura de São Carlos está difícil. Os jogadores do Sãocarlense uniram-se e não treinam. "Estão gordinhos", ironiza Rosa, consciente de que se o time não entrar em campo poderá ser rebaixado direto para a Série B3, a sexta divisão estadual. Seria uma catástrofe para o clube, pois ele pretende lançar, em julho, um projeto profissional, feito por Carlos Miguel Aidar (ex-presidente do São Paulo), para dez anos. "Tenho credibilidade com os jogadores, mas sem dinheiro a situação fica complicada." A dívida com os jogadores é de R$ 125 mil - a folha mensal é de R$ 50 mil. "Estou trabalhando a cabeça dos 21 jogadores e tentando pagar pelo menos uma folha antes do jogo", diz Rosa, que, prudente, reservou um hotel em São Paulo para concentrar o time amanhã, porém sabe que talvez consiga levar o grupo apenas sábado, momentos antes da partida. O elenco reuniu-se com o prefeito de São Carlos, Newton Lima Neto (PT), na quarta-feira, e ouviu que o município não ajudará o clube. Rosa reuniu-se, hoje, com o secretário de Esportes, Sóstenes de Oliveira, irmão dos ex-jogadores Sócrates e Raí, e também nada conseguiu. "Dizem que não podem nos ajudar, mas por que outras prefeituras ajudam seus clubes?" O Sãocarlense tem 32 pontos e corre risco de rebaixamento para a Série A3 se perder do Juventus. Além disso, o clube luta, na Justiça Desportiva, para não perder cinco pontos por usar Jamur irregularmente contra o Santo André. Se isso ocorrer, o time ficaria em último, ao lado do São José (27 pontos). Comercial (28) e Paraguaçuense (30) são os outros ameaçados. A greve no futebol do interior paulista não é novidade nos últimos anos. Com problemas financeiros, vários clubes passaram por isso. Na A3, o XV de Piracicaba também está paralisado e ameaça não enfrentar o Taquaritinga sábado. Outros times que tiveram greve neste ano: Comercial, São José e Francana. Com o novo calendário do futebol brasileiro, anunciado pela CBF, muitos podem se afastar das competições nos próximos anos.

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