Bruno Haddad / Cruzeiro
Bruno Haddad / Cruzeiro

Em jogo com decisões polêmicas do juiz, Cruzeiro vence América-MG e sobe para 15º

Árbitro não marcou pênalti para o América, marcou um para o Cruzeiro e expulsou o técnico Lisca

Leandro Silveira, O Estado de S. Paulo

03 de dezembro de 2020 | 00h17

Após figurar algumas rodadas na zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro ao menos vai mostrando que essa não deverá ser uma preocupação na reta final do torneio. Nesta quarta-feira, em uma partida marcada por decisões questionáveis da arbitragem, derrotou o América Mineiro por 2 a 1, no estádio Independência.

Os gols do Cruzeiro foram marcador por Rafael Sobis, em cobrança de pênalti, e Manoel, de cabeça, no começo de cada tempo. O zagueiro, assim, se igualou a Airton como artilheiro do time na Série B, com quatro gols.

Mas o que mais chamou a atenção foram decisões nos minutos iniciais de Dewson Freitas. Ele não marcou um pênalti para o América e assinalou outro para o Cruzeiro, revoltando o time da casa, que teve o técnico Lisca expulso. E o duelo teve nove cartões amarelos para os jogadores que estiveram em campo.

O triunfo levou o Cruzeiro aos 31 pontos, subindo para a 15.ª colocação, com sete de vantagem para a zona da degola na conclusão da 25.ª rodada. Só que a distância para o G4, o grupo do acesso está em dez pontos, o que torna muito complicada a tarefa do time de não atuar na segunda divisão nacional por duas temporadas consecutivas. Já o América parou nos 44 pontos, na segunda colocação, mas agora a seis da líder Chapecoense. E com quatro a mais do que a primeira equipe fora do G4.

América e Cruzeiro já haviam se enfrentado duas vezes em 2020, com empate no Estadual (1 a 1) e derrota celeste no primeiro turno da Série B (2 a 1). Agora, então, o time deu troco, confirmando o bom desempenho com Felipão como visitante - são quatro vitórias e um empate sob o seu comando em duelos longe do Mineirão.

O JOGO - Felipão alterou o esquema tático do Cruzeiro, com a escalação de três volantes - Adriano, Jadsom Silva e Felipe Machado -, além de ter colocado Matheus Pereira na lateral esquerda. Só que o grande personagem do primeiro tempo não foi nenhum deles, mas o árbitro Dewson Freitas.

O juiz deixou de marcar um pênalti logo no começo para o América, em toque de Adriano com a mão na bola na grande área. E pouco depois assinalou um pênalti aparentemente inexistente para o Cruzeiro numa disputa entre Pottker e Messias. Rafael Sobis bateu rasteiro, aos 13 minutos, e fez 1 a 0, marcando pela segunda vez nesse seu retorno ao clube.

Os lances revoltaram o América, que teve o técnico Lisca expulso. E a partir daí, os times fizeram um primeiro tempo fraco e nervoso. O América tinha dificuldade na criação e abusava dos lançamentos longos. Já o Cruzeiro não conseguia reter a posse de bola, mas ao menos se defendia bem, levando a vantagem para o intervalo.

Só que o início do segundo tempo foi bem diferente - e melhor para o time celeste. Em uma blitz nos minutos iniciais, perdeu duas chances claras, por causa de grandes defesas de Matheus Cavichioli em arremates de Arthur Caike após escanteio e no rebote de falta batida por Rafael Sobis. E o gol veio aos dois minutos, após cobrança de escanteio de Machado, com Manoel testando para as redes e fazendo o seu quarto gol nesta Série B.

Em desvantagem, o América fez três substituições quase de uma vez. E também respondeu em uma jogada aérea. Aos 15, em cobrança de falta, Anderson Jesus subiu mais do que a marcação do Cruzeiro e cabeceou para baixo, diminuindo para 2 a 1.

Era a possibilidade de esquentar o jogo, e o América buscou se lançar mais ao ataque com novas mudanças. Mas pouco criava e ainda dava espaços, tanto que o Cruzeiro teve uma chance clara numa jogada iniciada com roubada de bola de Machado. Mas Thiago chutou alto demais, aos 27, perdendo a chance de fazer o terceiro gol do seu time.

Na parte final do jogo, o América apostou em jogadas especialmente pela ponta direita, aproveitando a fragilidade de Matheus Pereira na marcação, para tentar o empate, tendo uma chance clara com Ademir, que bateu para fora. Também nas costas do lateral, ele cabeceou outra por cima da meta de Fábio. Depois dos sustos, o Cruzeiro tratou de se fechar no campo de defesa, assegurando o triunfo no Independência.

Os times voltarão a jogar no sábado, quando o América visitará o CSA no Rei Pelé, enquanto o Cruzeiro receberá o Brasil de Pelotas, no Mineirão.

FICHA TÉCNICA

AMÉRICA-MG 1 x 2 CRUZEIRO

AMÉRICA-MG - Matheus Cavichioli; Diego Ferreira (Daniel Borges), Messias, Anderson Jesus e João Paulo; Flávio (Marcelo Toscano), Juninho (Felipe Augusto) e Alê; Felipe Azevedo (Calyson), Rodolfo (Léo Passos) e Ademir. Técnico: Lisca.

CRUZEIRO - Fábio; Raul Cáceres, Manoel, Ramon e Matheus Pereira; Adriano, Jadsom Silva e Felipe Machado (Jadson); William Pottker (Arthur Caike), Rafael Sobis (Thiago) e Airton. Técnico: Felipão.

 - Rafael Sobis, aos 13 minutos do primeiro tempo. Manoel, aos 2, Anderson Jesus, aos 15,

ÁRBITRO - Dewson Fernando Freitas da Silva (PA).

CARTÕES AMARELOS - Rafael Sobis, Matheus Pereira, Juninho, Airton, Rodolfo, Jadsom Silva, Léo Passos, Manoel e Fábio.

CARTÃO VERMELHO - Lisca.

LOCAL - Estádio Independência, em Belo Horizonte (MG).

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