Em mais um protesto anti-Copa, PM prende 15 pessoas no Rio

Cerca de 300 pessoas se manifestaram contra a Copa do Mundo no entorno do Maracanã

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 20h51

Policiais militares prenderam 15 ativistas e dissolveram com violência uma manifestação anti-Copa que reunia cerca de 300 pessoas no entorno do Maracanã, na noite deste sábado (28), enquanto Uruguai e Colômbia se enfrentavam no estádio.

Manifestantes foram agredidos com golpes de cassetete, e jornalistas que registravam as agressões tiveram equipamentos danificados por policiais. Um deles foi o fotógrafo Marcos de Paula, do Estado, que teve o quebrado o para-sol da máquina fotográfica.

Em nota, a PM afirmou ter reagido depois que manifestantes jogaram bombas caseiras nos policiais do Batalhão de Grandes Eventos. A versão foi contestada por jornalistas que acompanharam o ato. Eles viram apenas uma bomba ser detonada, por policiais militares, contra manifestantes.

Os detidos foram acusados de desacato e agressão. Com a repressão, o ato durou menos de uma hora e foi encerrado por volta das 19h. Uma jovem deixou o local com o braço sangrando.Mesmo questionada duas vezes sobre o motivo do ataque ao fotógrafo do Estado, a PM não respondeu.

Os manifestantes se concentraram na praça Saens Peña e partiram em caminhada pela Rua Conde de Bonfim em direção à Avenida Maracanã, sem incidentes. Quando os manifestantes chegaram à Rua Pereira Nunes, cerca de 500 policiais que acompanhavam o grupo desde o início correram e tentaram cercá-los. Já havia uma barreira de PMs do Choque na Av. Maracanã, à frente.

Quando parte dos ativistas decidiu voltar, policiais do Batalhão de Grandes Eventos investiram contra eles. Não houve tentativa de furar o bloqueio policial - os manifestantes nem chegaram perto dele.

"Me bateram e estão me prendendo. Eu não fiz nada", gritava uma estudante. Uma advogada que tentou se aproximar dela foi empurrada e levou um jato de spray de pimenta no rosto. Outra mulher detida foi imobilizada com o cassetete no pescoço e levada assim até o camburão.

Enquanto atacavam em manifestantes, policiais usaram cassetetes para quebrar as máquinas de quem registrava as agressões.

Com as prisões e agressões, o grupo se dispersou. Cerca de 50 ativistas voltaram para a Saens Peña e encerraram o ato. Com um megafone, um dos manifestantes afirmou que há um “estado de exceção” e prometeu que os ativistas voltarão às ruas na final.

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