Em meio a investigação, Beckenbauer critica Federação Alemã

Em meio ao escândalo de corrupção em que se envolveu a Federação Alemã de Futebol (DFB), o ex-jogador Franz Beckenbauer foi mais um a criticá-la. O curioso é que ele próprio é um dos principais suspeitos de envolvimento na possível compra de votos para que o país sediasse a Copa do Mundo de 2006, mas isso não impediu que o ídolo atacasse a postura da entidade.

Estadão Conteúdo

20 de novembro de 2015 | 15h21

Beckenbauer garantiu que ofereceu-se para explicar as alegações de corrupção "para o bem do conhecimento e de sua consciência", mas que os presidentes interinos da DFB, Reinhard Rauball e Rainer Koch, sequer o responderam. "Que tipo de nível é esse?", questionou o ex-jogador em entrevista ao jornal Sueddeutsche.

Como não podia ser diferente, a declaração de Beckenbauer repercutiu imediatamente, e Reinhard Rauball se apressou em manifestar sua posição. "Eu vou chamar o senhor Beckenbauer agora para esclarecer as coisas."

Chefe da candidatura da Alemanha para sediar a Copa do Mundo de 2006, e posteriormente presidente do Comitê Organizador, Beckenbauer é acusado de compra de votos por ter enviado cerca de US$ 6 milhões à Fifa em 2000. O ex-jogador, no entanto, garante que a verba tratou-se de uma garantia financeira para que a principal entidade do futebol mundial enviasse ao país uma quantia já disponível para a organização do Mundial.

Apesar de afirmar que não realizou nenhuma movimentação ilícita, o próprio Beckenbauer já admitiu que "se pudesse voltar no tempo", agiria de forma diferente. De acordo com as denúncias da revista alemã Der Spiegel, o pagamento de suborno serviu para conquistar os votos de quatro representantes asiáticos no comitê executivo da Fifa, que conta com 24 membros.

Segundo as denúncias, Beckenbauer e outros funcionários de alto escalão na DFB estavam cientes do esquema ilícito. Um "Caixa 2" teria sido criado pelo comitê de candidatura com verba da Adidas para distribuir dinheiro aos executivos da Fifa que elegeriam a sede da Copa 2006.

A suspeita apareceu quando 6,7 milhões de euros foram transferidos para uma conta da Fifa em Genebra, antes de seguir para a conta do empresário Robert Louis-Dreyfus. Oficialmente, os recursos iriam para "eventos culturais". Mas essas atividades foram canceladas, sem explicações.

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