Em paz, Bielsa estuda time do Brasil

Os ares do Chile fizeram bem para o técnico argentino Marcelo Bielsa. Longe da pressão da imprensa - menos de 12 jornalistas foram cobrir o Pré-Olímpico - e da bronca dos torcedores, que ainda não o perdoaram pelo fracasso na Copa do Mundo de 2002, ele abriu um pouco a guarda e tornou-se menos rigoroso do que costuma ser.A prova disso é que desde a chegada ao Chile, no último dia 4, todos os treinos foram abertos aos jornalistas - e em quase todos o público teve acesso. Em Buenos Aires, a imprensa não pôde ver nenhum treino no complexo esportivo da AFA (Associação de Futebol Argentina) em Ezeiza, ao lado do aeroporto internacional.Nesta segunda-feira, a seleção trabalhou em dois períodos na Universidad Ibañez, em Valparaíso. Pela manhã, enquanto os jogadores faziam um treino físico sob as ordens do preparador Luís Bonini, Bielsa estava no hotel fazendo o que mais faz quando não está no campo: vendo vídeos dos adversários. Ele é obcecado por isso e é capaz de passar a noite em claro em busca de detalhes que possam ajudá-lo a conseguir a vitória. E, no final da tarde, dirigiu um treino tático no mesmo local. Tudo para enfrentar o Brasil nesta quarta-feira, na abertura do quadrangular final do Pré-Olímpico.Para ajudar nos treinamentos e também para dar experiência aos garotos, Bielsa trouxe a seleção Sub-17 para servir de "sparring" nos coletivos. São 18 jogadores que estão junto com o time Sub-23. Na Copa do Mundo, Bielsa levou a equipe Sub-20 para fazer esse papel. As ruas que levam à entrada da Universidad são tão estreitas e sinuosas que o ônibus que conduz a delegação não consegue chegar até o portão. O motorista estaciona a uns 200 metros da entrada e os jogadores fazem a pé esse pequeno trecho - na chegada, é uma descida; para ir embora, é uma subida. Não há aquela segurança rigorosa para manter as pessoas longe dos jogadores, como costumava ocorrer com a equipe de Bielsa. Eles caminham cercados por fãs e são aplaudidos pelos moradores que observam a cena de suas janelas.O elenco argentino tem sete jogadores do Boca (o goleiro Caballero, os laterais Jerez e Clemente Rodriguez, os zagueiros Burdisso e Calvo, o meia Cangele e o atacante Tevez) e cinco que estiveram no Mundial Sub-20 - Mascherano, Gonzalo Rodriguez, Leandro Fernandez, Ferreyra e Cangele.O time para enfrentar o Brasil terá Caballero, Leandro Fernandez, Gonzalo Rodriguez e Burdisso; Mascherano, Medina, Lucho Gonzalez e Ferreyra; César Delgado, Tevez e Mariano Gonzalez.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2004 | 19h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.