Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Em posse, Del Nero defende mudanças na MP de refinanciamento

Assunto foi tema em cerimônia restrita a cartolas do futebol brasileiro

Marcio Dolzan e Almir Leite, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2015 | 14h29

O novo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, tomou posse nesta quinta-feira e já conta com pelo menos um consenso entre os clubes e federações do País: a Medida Provisória (MP) 671, que trata do refinanciamento das dívidas, precisa ser alterada. O dirigente defendeu mudanças no texto que, nos termos atuais, não receberá adesão dos clubes.

O assunto foi tema do discurso de posse de Del Nero no fim da manhã, em cerimônia que reuniu dirigentes de clubes e federações na sede da CBF, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A imprensa não teve acesso à cerimônia, restrita a cartolas do futebol brasileiro.

"O presidente Marco Polo deu bastante ênfase à MP 671", afirmou o vice-presidente de futebol do Botafogo, Antônio Carlos Mantuano, após a cerimônia. "Temos que rever a parte financeira dos clubes", insistiu o dirigente, lembrando que "o Botafogo hoje está passando por um momento extremamente difícil, complicado."

"Ele (Del Nero) tratou de forma específica a MP e do trabalho que ele vem desenvolvendo com todos para corrigir os defeitos que a MP tem hoje para que possa ser aprovada uma medida realmente adequada", ressaltou Peter Siemsen, presidente do Fluminense.

Para Paulo Nobre, o refinanciamento das dívidas deve ser uma das prioridades. "Muitos clubes estão com situação caótica nesse ponto, e outro nem têm esse problema. Agora, acho que nós temos que pensar não só no nosso clube, mas nos outros também. Não é porque o Palmeiras não tem esse problema como premente hoje que a gente vai abandonar outros clubes que estão com um problema muito sério", declarou o presidente do clube alviverde.

"Quando um clube grande está com um problema, o futebol como um todo está com um problema. A única coisa que a gente precisa cobrar é muita responsabilidade dos dirigentes para que essa situação, caso seja arrumada agora, não venha a se repetir daqui a dez anos", avaliou o mandatário do Palmeiras.

Nobre, porém, foi categórico ao dizer que o clube não assinaria o refinanciamento com o governo federal nos termos atuais da MP 671. "Ela teria ingerência na autonomia dos clubes, o que não é uma coisa positiva. A MP era uma coisa muito boa quando ela tratava de um assunto específico, mas colocaram um monte de coisa no meio para passar num pacotão."

INTERFERÊNCIA

Segundo Peter Siemsen, os clubes estão chegando a um acordo. "No conceito estão todos abraçados. A questão é que alguns clubes estão estudando questões mais pontuais, outros talvez nem tanto. O empenho de cada um nas mudanças e na aprovação é claro que varia, mas no conceito em geral todos estão mais ou menos alinhados."

O presidente do Bahia, Marcelo Santana, disse que seu clube reconhece pontos positivos na MP, mas fez ressalvas. "À maior parte (da MP) o Bahia é favorável. Agora, ser favorável com a maior parte não significa concordar com 100%. Dou um exemplo prático: eu sou contra ter apenas um banco para você concentrar toda a sua movimentação financeira. Quantos cidadãos brasileiros e contribuintes têm conta em apenas um banco? Por que os clubes têm que ter?", indagou.

O dirigente baiano também apontou para excesso de "interferência estatal" no texto da MP. "Concordo quando o governo diz que tem que ter apenas um mandato com uma reeleição. O Bahia pratica isso. A MP sugere quatro anos, o Bahia tem três. Estamos mais avançados do que o governo propõe. Mas eu não sei se é papel do governo interferir nessa atividade. Acredito que você tem uma interferência estatal de maneira exagerada."

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