Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Em prantos, Chapecó reza pelas vítimas de acidente aéreo na Colômbia

No fim da missa, a população saiu em romaria pelas ruas da cidade

Gilberto Amendola, enviado especial a Chapecó, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2016 | 20h36

Milhares de moradores de Chapecó se reuniram na igreja Santo Antônio e na frente dela, na Praça Cel. Bertaso, em Chapecó. A missa das seis reuniu uma população (torcedores ou não)  chocada, perplexa e em prantos.

Lágrimas nos olhos de velhos, mulheres e crianças. A maioria se vestia com o manto verde do time, o uniforme daquele que é o orgulho da cidade. "Eu só tive força pra tirar essa camisa do armário, me olhar no espelho e desabar", confessa Emília de Faria, 53 anos, advogada. 

Na missa, além das orações, a música Nossa Senhora (Roberto Carlos) e o hino da Chapecoense também foram cantados por um coro forte, um coro de torcedores e fiéis. Durante o coro, tinha choro, tinha grito de gol, tinha amor e indignação. "Por quê?", perguntava um homem olhando para o céu - mas sem nenhuma esperança de receber respostas. 

O bispo dom Odelir está há 1 ano e meio na cidade, vindo de Sobral (Ceará). Nesse tempo, já havia ganhado do proprio clube um título de sócio e uma camisa com o seu nome. "O goleiro Danilo e o técnico Caio Júnior costumavam frequentar a missa também", lembra. "Hoje é um dia muito triste. A Chapecoense representa pra Cidade uma utopia de união e fraternidade. A população de reconhecia no time. Era empatia e amor. Agora, é preciso ter fé e confortar os corações", completa.

No fim da missa, a população saiu em romaria pelas ruas da cidade. Por vezes,  batendo palmas e repetindo a letra do hino. Outras vezes, apenas o silêncio. O comércio fechado. Nos prédios residenciais, gente nas sacadas e janelas. Ninguém acenava. Apenas observavam com o olhar vago o  cortejo que passava.

O cortejo que saiu da igreja Santo Antônio e da praça Coronel Bertaso seguiu para a Arena Condá, estádio da Chapecoense. Milhares de torcedores lotaram a arquibancada e homenagearam cada jogador, gritando seus nomes. "Sou Chapeconse com muito orgulho, com muito amor", cantaram. Gritos de "ê campeão" e "time de guerreiros" também se espalharam pelo lugar.

Chamou atenção, tanto nas arquibancadas como durante a caminhada, o número de crianças que acompanham seus pais e, assim como eles, choravam. "Não tem o que explicar. O jeito é trazer minha filha pra sentir esse ambiente (no estádio). Acho que ela vai entender aos poucos", fala o empresário Airton Goes, 39 anos, pai da Roberta, 9 anos. "Acho que a ficha não caiu pra elas. Vai cair quando elas sentirem falta dos jogos, da agitação que as partidas da Chapecoense", comenta a comerciante Andreia Radel, 36 anos, mãe de Tais, 8 anos; Leticia, 9; e Clarissa, 7 anos.

O ex-atleta Rogério Abreu, herói do primeiro acesso da Chapeconse, parou no meio do campo da Arena Condá. "Minha história acabou junto com eles", fala. Rogério marcou um gol no jogo de ida, contra a Naveraiense, no Mato Grosso do Sul, em 2009. Depois, mesmo perdendo o jogo da volta, a Chape subiria da Série D para a Série C - numa ascensão que não pararia mais. "Isso aqui é uma família. Mesmo depois de parar, eu vinha aqui participar de alguns jogos beneficentes. Teve gente que achou que eu estava no avião", fala o jogador. 

Também no gramado estava o goleiro Marcelo Boeck, que apesar de ser parte do elenco, não viajou com o time para a Colômbia. "Ontem (segunda-feira) foi o meu aniversário. Todos me parabenizaram por WhatsApp", lembra. "Agora, apesar da tristeza, temos que pensar em continuar o legado deles", completa.

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