Cesar Greco/ SE Palmeiras
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Robson Morelli
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Em qual prateleira o Palmeiras está no futebol brasileiro? Na mesma de Flamengo e Atlético-MG?

Equipe tem tido desempenho abaixo dos dois principais adversários no cenário nacional e sul-americano

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2021 | 05h00

A derrota para o Flamengo há uma semana tirou o Palmeiras da lista dos melhores times do Brasil nesta temporada. Até então, apesar das partidas ruins, o Palmeiras ainda era apontado como uma das forças do futebol brasileiro. Ainda é. Mas em outra prateleira e não mais na mesma de Flamengo e Atlético-MG. Até então, era assunto para se discutir em bares da cidade. De lá para cá, após aquele 3 a 1, não há muitas almas a fim de defender o time de Abel Ferreira na mesma condição das equipes comandadas pelo bom Renato Gaúcho e por Cuca.

A semana pode mudar isso. Amanhã, o Palmeiras recebe o Atlético-MG em jogo de ida da semifinal da Libertadores. Vale muito, mas o duelo ainda não é definitivo. A partida de volta será em Minas dia 28. Nem mesmo o fato de o clube paulista estar defendendo o título do torneio sul-americano o faz igual ao rival. O Palmeiras perdeu prestígio.

Isso tem a ver com o trabalho do seu treinador e também com a queda de rendimento de alguns dos principais atletas do elenco, um deles Luiz Adriano, que voltou a marcar gol, meio por acaso, no fim de semana em vitória diante da Chapecoense por 2 a 0. Outro que não se faz mais interessante é Rony, que sempre foi limitado, é verdade, mas que fazia gols importantes e algumas boas jogadas em velocidade. 

Era uma opção de saída de bola. Não é mais nada disso. Rony sentiu a chegada de Dudu e parou de jogar. Não faz gols nem aparece posicionado no ataque. Seu jogo passou a ser de combate.

Nesse balaio de problema do Palmeiras, dá para incluir a má fase da safra colhida em casa. A garotada cantada em verso e prosa não é mais a mesma. Patrick de Paula, Gabriel Menino e Veron são todos reservas e não pedem mais passagem como quando apareceram. Estão todos devendo. Para falar a verdade, nem sei mais qual é a posição de Menino, que começou como volante, atuou como lateral e meia e hoje ocupa um setor indefinido do campo quando Abel Ferreira lhe dá chance.

Dos três, quem mais joga é Patrick, mesmo assim ele alterna boas e más atuações e já se meteu em confusão durante a pandemia em dias de folga.

Por fim, ainda incluo uma grande indefinição em relação a Scarpa. O treinador português parece não saber o que faz com o atleta, que só não chutou o balde porque é equilibrado. Mesmo jogando bem, ele saiu do time. Entra e sai, na verdade. Ao lado de Dudu e do bom Raphael Veiga, Scarpa é um dos melhores armadores do time.

Daí meu segundo ponto para explicar a condição atual do Palmeiras: Abel Ferreira tem bons discursos, boa retórica, fala o que se quer ouvir dele, mas não tem feito bom trabalho de campo. Ele é confuso nas alterações, não enxerga com clareza situações de primeiro tempo e, por isso, mexe errado e não mostra ensaiar jogadas. Ou seja, o Palmeiras carece de repertório, de mais situações de jogo bem definidas, de mais variações e opções quando o time tem dificuldades.

 

Nos últimos jogos, por exemplo, o goleiro Weverton tem feito o trabalho de ligação para os atacantes, o que não deveria acontecer. Isso tem a ver com treinamento e ideias do seu treinador. Apesar dos pontos no Brasileirão, da segunda colocação, o futebol do Palmeiras está abaixo alguns degraus do futebol praticado por Flamengo e Atlético-MG.

Mesmo assim, penso que tiraram muito rapidamente o Palmeiras do baralho. Daí o desafio de amanhã ser importante para o clube paulista. Muitos dão como certa a classificação do rival de Minas. O desafio do Palmeiras é mostrar que essa turma está errada, tem jogar bem, ganhar e voltar para a mesma prateleira de seus maiores concorrentes.

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