Josep Lago/AFP
Josep Lago/AFP

Sevilla x Bétis fazem um dérbi que ultrapassa o futebol na Espanha

Clássico divide a cidade desde 1909, quando ganhou ares de uma luta entre representantes da elite e operários

Renan Fernandes / SEVILHA ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2019 | 04h30

Sevilha é uma daquelas cidades divididas pela rivalidade dos dois times. Neste ano, no entanto, a partida entre Sevilla x Bétis, válida pela 32.ª rodada do Campeonato Espanhol, disputada no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, terá um terceiro concorrente: as procissões da Semana Santa.

Celebrada desde 1941, as festividades que comemoram a paixão, morte e ressurreição de Cristo são tradicionais na capital da Andaluzia e começam um dia depois do ‘Grande Dérbi’. Mas as atividades para a data já mobilizavam toda a rotina local com uma semana de antecedência, seja com a chegada de turistas, mudança na gastronomia ou restrição de trânsito.

A região também é berço das touradas e da dança flamenca. Essas práticas são exaltadas na ‘Feria de Abril’, esse ano realizada entre os dias 4 e 11 de maio. O futebol ajuda a contar um pouco mais da história da cidade em outro aspecto, a luta de classes. O Sevilla Fútbol Club foi criado em 1890 e era considerado um clube voltado para a elite da época. Já o Real Betis Balompié surge em 1909 da fusão de alguns clubes regionais, que até contavam com dissidentes do Sevilla. Além de ser aberto para a classe trabalhadora, o time tinha em seu estatuto de 15 artigos um em especial, que liberava a participação de estrangeiros. Assim, o confronto entre os rivais ganhou ares de uma luta entre “Elite x Operários”.

Até a década de 50, a dupla conseguiu faturar o campeonato espanhol uma vez cada. O Bétis em 1935 e o Sevilla em 1946. O lado vermelho e branco ainda conseguiu erguer a Copa do Rei em 1935, 1939 e em 1948. Esta última competição, o time verde e branco só ganharia em 1977. Depois disso, as duas equipes sofreram com um longo hiato de conquistas.

A retomada dos títulos veio com uma relação de proximidade com o futebol brasileiro.

Em 1997, o Bétis surpreendeu ao pagar ¤ 32 milhões (R$ 124 milhões na cotação atual) para tirar Denílson do São Paulo, naquela que seria a negociação mais cara da história do futebol. Quase sete anos depois, e já contando também com Marcos Assunção, Edu e Ricardo Oliveira, a equipe conseguiu seu último grande feito, o título da Copa do Rei, em 2005.

Já o Sevilla, entre 2006 e 2016, mudou de patamar ao ganhar cinco vezes a Liga Europa e duas vezes a Copa do Rei, em 2007 e 2010. A base inicial para essa era de ouro do clube tinha nomes muito conhecidos dos brasileiros: Daniel Alves, Adriano, Renato e Luís Fabiano.

O Sevilla soma 49 pontos e ocupa a quinta posição e ainda luta por uma vaga direta na Liga dos Campeões. Dentro de campo, a principal aposta da equipe mandante é o atacante francês Ben Yedder, que já marcou 16 gols no torneio.

O Bétis mira um lugar na Liga Europa. Com 43 pontos, o time é o 9.º colocado e quer repetir o sucesso do clássico do 1.º turno, quando venceu com gol do ídolo Joaquín.

 

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