Tasso Marcelo/AFP
Tasso Marcelo/AFP

Em troca de ingressos, empresário negociou presente a Blatter

Negociata era de 2 milhões de euros ao presidente da Fifa

Jamil Chade, correspondente em Zurique, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2015 | 18h31

Empresários que ganharam contratos para vender ingressos das Copas do Mundo negociaram dar um presente de 2 milhões de euros para o presidente da Fifa, Joseph Blatter. As tratativas estão descritas em processos registrados na Justiça americana por executivos da empresa iSe e que o Estado obteve acesso.

Em 2003, a companhia ganhou um contrato da Fifa para ter os direitos de vender entradas VIPs e pacotes de hospitalidade para a Copa de 2006, num valor de US$ 270 milhões e que era cobiçado pelos maiores grupos do mundo. A iSe havia sido formada pouco tempo antes, numa aliança entre a Dentsu e a Publicis, e surpreendeu o mundo empresarial ao ser a escolhida para monopolizar a venda dos pacotes de luxo ao Mundial.

Mas o ex-executivo da iSe, Marty Schueren, em um processo aberto em 17 de outubro de 2005, denunciou como o presidente da empresa, Haruyuki Takahashi, viajou até Frankfurt em março daquele ano para pedir que uma empresa paralela fosse estabelecida na iSe, com um capital de 2 milhoes de euros.

Diante da impossibilidade legal de se criar a nova empresa, Takahashi sugeriu que um contrato fosse fechado entre a iSs e a Intersports para pagar 2 milhões de euros e que teria de ser entregue em dinheiro vivo. Nenhum serviço seria prestado e o contrato apenas existiria para legitimar a transferência de recursos. "Quando questionado sobre o motivo do dinheiro, Takahashi disse que precisava pagar Blatter, presidente da Fifa, por ter dado à empresa o contrato de hospitalidade para a iSe", apontou o documento. Os executivos da empresa optaram por negar ao japonês o dinheiro, alertando que "não estavam preparados a ir para prisão por Takahashi". O processo não conclui se o japonês conseguiu o dinheiro de outras fontes para entregar a Blatter.

O escândalo em relação aos contratos sobre ingressos da Copa já levou ao afastamento do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Ele foi denunciado por empresários por fazer parte de um esquema para lucrar milhões de euros com a venda de entradas para o Mundial de 2014. Ele nega qualquer tipo de irregularidade.

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