Em vídeo, Arouca reafirma o orgulho de ser negro

Peça é mais uma respostas às ofensas racistas que o atleta sofreu em Mogi Mirim, na noite de quinta-feira

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2014 | 18h06

SÃO PAULO - O volante Arouca, do Santos, divulgou na tarde desta sexta-feira um vídeo da TV Santos em que reafirma o orgulho de ser negro. O ato é uma resposta às ofensas racistas que recebeu em Mogi Mirim, na noite de quinta-feira, quando alguns torcedores o chamaram de "macaco". "Antes de ser atleta, sou ser humano, pai, marido, cidadão, carioca de origem e santista de coração. Tenho a pele negra, cabelo afro e visto o manto branco que vestiu o Rei Pelé. Carrego orgulho no peito e sou grato a Deus por tudo isso. Tudo isso", afirma o jogador, que também cita os títulos que conquistou pelo Santos, entre eles, a Libertadores e a Recopa.

O vídeo é a segunda manifestação do jogador após o episódio de racismo em Mogi, que levou à interdição do estádio do clube e ao pedido de abertura de inquérito do Santos para a Federação Paulista de Futebol. Logo após a partida, no qual fez o terceiro gol da goleada de 5 a 2, Arouca divulgou nota oficial em que dizia não possuir vergonha de sua cor e que o futebol brasileiro fora construído com jogadores negros. "Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar, dando a entender que um negro igual a mim não serve para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros", disse.

A Federação Paulista de Futebol (FPF) comunicou nesta sexta-feira também que os atos de racismo cometidos contra o volante serão comunicados ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), que tem o poder de deliberar sobre o caso. Segundo a entidade, as provas do caso já estão sendo reunidas.

O técnico Oswaldo de Oliveira protestou contra a situação durante a coletiva após a partida. "A minha resposta para isso é o silêncio. Não farei mais nada". O treinador cobrou uma ação maior das entidades que organizam o futebol brasileiro. "Não vou me prender ao problema do Arouca, mas à questão da súmula. Tudo o que se passa no jogo só pode ter relevância se estiver na súmula. Isso tem de ser coibido, como violência, brigas e uma série de outras coisas. Tem gente que gosta de aparecer negativamente, acho isso baixo, e isso tem de ser severamente punido, como tantos outros eventos que temos acompanhado recentemente. A euforia da Copa do Mundo tem nos contagiado para o evento, mas deveríamos ser mais severos".

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