Embala Bebeto

Filho de atacante sonha em retribuir homenagem do pai; ouça a entrevista

O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2014 | 10h10

SÃO PAULO - Bebeto inventou na Copa de 94 um jeito novo de comemorar gols. Foi na partida em que o Brasil venceu a Holanda por 3 a 2, pelas quartas de final. Aos 17 minutos do segundo tempo, o atacante aproveitou uma bobeada da defesa holandesa e fez Brasil dois a zero. Na vibração, movimentou os braços como se estivesse ninando um bebê.

Romário e Mazinho o acompanharam na mímica e a cena acabou registrada em quase meia página do caderno da Copa do Estadão no dia seguinte.

O gesto homenageava Mattheus de Andrade Gama de Oliveira, filho do atacante, nascido dois dias antes do jogo. Aquele tipo de comemoração passou a ser imitada nos anos seguintes em momentos de glória de novos papais atletas. Com o passar do tempo, no entanto, caiu no esquecimento quem havia festejado daquela forma pela primeira vez.

Ouça abaixo a entrevista de Mattheus:

Até o bebê homenageado em 1994 voltar ao noticiário esportivo. Seguindo os passos do pai, Mattheus se tornou jogador do Flamengo. E como o pai, mostrava ter futuro promissor. Em 2009, foi convocado à seleção brasileira sub-16. Três anos depois estreou como profissional do Flamengo, ainda seu clube.

"Quando ele fez o teste no Flamengo fiz questão de que não soubessem quem era. Tinha de mostrar talento", disse Bebeto, em entrevista ao Estadão em 2012. O ex-atacante da seleção sonha ver Mattheus repetir a cena em uma Copa e assim estender a outra geração o gesto que virou símbolo do tetra.

Mattheus afirma ser também um sonho seu retribuir o ninar paterno. Quem sabe na próxima Copa. Quem sabe em homenagem ao seu filho. "No futebol as coisas mudam rapidamente. Trabalho para disputar a próxima Copa do Mundo." Mattheus diz que os conselhos do pai são importantes para atingir esse objetivo. "Por outro lado, tem aquela pressão por ser filho de um grande ídolo do futebol brasileiro."

Bebeto, hoje com 50 anos, construiu um currículo invejável pela seleção. Começou cedo com o título mundial sub-20 em 1983. Disputou três Copas do Mundo (90, 94 e 98), sendo campeão e vice nas duas últimas. Tem duas medalhas olímpicas, prata em 88 e bronze em 96. Encerrada a carreira, enveredou para a política. Foi eleito deputado estadual e atualmente integra o Comitê Organizador da Copa (COL).

Sem dúvida a Copa de 94 é o seu auge. Êxito que, além dos 24 anos de jejum de títulos, espantou outros fantasmas. O primeiro a Holanda, nosso carrasco em 74, e na decisão a Itália, algoz de 1982. De quebra deixamos para trás também o trauma da derrota nos pênaltis para a França em 1986.

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