Emerson Leão: 'Não tenho mais forças para brigar'

Técnico do Santos fala do futuro do time, do trabalho no clube e de seu momento tranqüilo de vida

Entrevista com

Milton Pazzi Jr., estadao.com.br

06 de março de 2008 | 20h08

Emerson Leão está em paz com o futuro e, mesmo com todos os problemas, com o destino do Santos na temporada. O técnico, em entrevista à TV Estadão, reconhece que esperava por outro panorama quando acertou com o presidente Marcelo Teixeira, mas, em vez de "rugir", ele garante que todas as reclamações que fez foram para o benefício de todos. O pensamento positivo vale até para o futuro de sua carreira, que ele cogita encerrar em dois anos, para "aproveitar aquilo que não pôde fazer com o futebol". Leia abaixo os principais trechos da conversa na visita à sede do Grupo Estado.Veja também: Leão participa do programa Raio-X da TV Estadão; assista Lateral-esquerdo Kléber volta a treinar com o Santos Rodrigo Souto deve ser negociado pelo SantosBALANÇO DO TIME"O Santos tem muita dificuldade. Oscilamos muito. Você vai muito acima ou abaixo. Por causa disso, estamos muito mal classificados no Campeonato Paulista. Na Libertadores é diferente, mas tenho como verdade que vai demorar para arrumarmos esta situação. Uma hora o resultado vai aparecer, mesmo que não seja comigo. Não tenho promessa nenhuma para fazer e fazemos parte de um grupo de trabalho."PERDA DE JOGADORES"Passamos por um momento no Santos que entendo como hora de agregar, e não de perder. Temos de ser coerentes. O que pode acontecer é ir subindo aos poucos, e daí melhorar. Perdemos o Kléber por um momento, tem a história do Rodrigo Souto (ler matéria ao lado)... Reposição não tem, e quem tem segura com chave bem apertado. O Santos tem procurado buscar na base e até agora não conseguiu. Está difícil."APOSENTADORIA"Continuo com a intenção de parar em 2010. Preciso recuperar muita coisa na minha vida com a minha família, ter um final de semana. A idéia está amadurecendo, só mudo se tiver um fato completamente novo que me faça voltar atrás. Depois, não sei responder o que vou fazer. Vou ter 60 anos, o que posso ser? Pode ser um consultor-técnico, um diretor de entidade, presidente de entidade, ou pode pegar tudo isso e ir para casa, aproveitar sua vida. Preciso viver saudável."FASE ZEN"Não tenho mais força para brigar. Tive muitos problemas em minha carreira. O dia em que estiver irritado com o que faço é porque perdi o prazer. Me satisfaço com o que recebo de bem das pessoas. Penso que agora tenho de tomar mais atitudes silenciosas, usar mais a razão e falar a verdade, mesmo que seja de outra forma, mas não deixar de dizer a verdade. Aprendi a me acostumar como um terceirizado. Não dependo só do que faço, tem jogadores, diretores, etc. Mesmo com a cultura de eliminação de treinadores - é mais fácil dispensá-lo do que trocar o time -, andamos na corda bamba."ARBITRAGENS"Estou me policiando sim, não fui expulso este ano, teve até um árbitro que trabalha para a Conmebol, depois de um jogo da Libertadores, que veio me perguntar ‘qué pasó (o que acontece, em espanhol), Leão?’, estranhando minha calma. No jogo contra o Sertãozinho, teve um pênalti que não marcaram para nós. Não fui reclamar, e olha que estou na parte debaixo da tabela."CONTRATO E SALÁRIO"Fiz um acordo com o Santos, mas não fui mesmo, até hoje, assinar. Eu que fui relapso. Ainda não abri conta, nada. Não tenho preocupação. Não muda nada no meu procedimento. Por causa disso, ainda não recebi do Santos. Mas será resolvido na hora certa."

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