Emerson Leão pronto para voltar

Uma notícia que veio do outro lado do mundo balançou a estrutura de alguns treinadores do futebol paulista: Emerson Leão, o técnico queridinho dos clubes brasileiros, sobretudo de São Paulo, acertou sua demissão do Vissel Kobe, equipe da primeira divisão do Japão para a qual se transferiu a fim de socorrer o amigo Yasutoshi Miura, um dos dirigentes do time. A ajuda durou quatro partidas e dois meses. Miura perdeu o emprego nesta quarta-feira. Todos os profissionais contratados por ele colocaram o cargo à disposição. Leão foi o primeiro deles. A faxina então foi geral. "Eu tinha um compromisso com esse meu amigo. A partir do momento que ele não está mais no clube, esse acerto não existe mais também", explicou o treinador.Desempregado, Leão faz sombra aos técnicos Márcio Bittencourt, do Corinthians; Paulo Bonamigo, do Palmeiras; e Gallo, do Santos. Só para citar alguns. As diretorias dos três clubes morrem de amor pelo trabalho do treinador, que subiu no conceito nacional após a conquista do último Campeonato Paulista com o São Paulo.Antes de seguir para Kobe, atrás também de um salário de R$ 600 mil por mês, Leão chegou a recusar proposta oficial do Corinthians. Kia Joorabchian, homem forte e misterioso da MSI, nunca escondeu sua predileção pelo ex-técnico são-paulino e da Seleção Brasileira.Em entrevista à rádio Jovem Pan, perto da meia noite no Japão, o treinador apenas lamentou o ocorrido. "Eles, os dirigentes do Kobe, decidiram pelas demissões. Fico chateado somente pelo meu amigo, o Miura, que estava começando uma carreira nova aqui. Mas nós vamos tocar a vida."O treinador não parecia muito preocupado com sua condição de novo desempregado. Sabe que tem mercado no Brasil e possivelmente terá um contrato para assinar assim que pôr os pés em território nacional. Além dos três times paulistas citados, seu nome também já rondou a Toca da Raposa, casa do Cruzeiro de Levir Culpi.Leão volta, portanto, numa situação bem confortável. Equipes com boas estruturas, como o Atlético-PR, também correm atrás de acertar seus ponteiros para uma reação do time no Campeonato Brasileiro. Podem também partir para cima de Leão e tentar seduzi-lo.O treinador brasileiro permanece no Japão até o dia 22. Vai descansar. Fazer compras. Até lá, deve resolver todas as pendências legais da sua rescisão no Vissel Kobe. E vem para não voltar mais.Em nenhum momento, Leão questionou a decisão do clube. Não fez perguntas, tampouco pediu explicações. Não queria sair, mas também não fez força para ficar. O treinador deixou claro que sua demissão nada tem a ver com alguma proposta nova de trabalho.À Agência Estado, pela manhã no horário japonês, depois de pedir um tempo para tomar seu banho, Leão disse não ter sido procurado por nenhum clube do País. Dificilmente ele acertaria com um novo clube que ainda tenha técnico. Ainda mais Leão, que sempre combateu a postura pouca ética de alguns treinadores, ex-amigos seus. Ao telefone, ele se enfureceu ao saber que sua saída do Kobe assusta alguns treinadores ainda empregados do futebol Brasileiro. Jura não querer tomar o emprego de nenhum deles. Disse ainda que se sentiu recompensado pelos "serviços prestados" a um amigo que o solicitou.A passagem de Leão pelo Vissel Kobe não foi das mais proveitosas. Em quatro partidas, seu time ganhou apenas uma, empatou outra e perdeu duas. Campanha pífia. Esse foi um dos motivos da degola generalizada. Leão aceitou o desafio e se colocou à disposição do amigo Miura, mas, na prática, pouco fez para ajeitar o time. O clube japonês trabalhou rápido para arrumar o substituto do brasileiro. E escolheu o checo Pavel Rehak, que já fazia parte da comissão técnica de Leão. Ele será o terceiro treinador do time, que tem 12 pontos na competição nacional.O treinador também comentou sobre a Seleção Brasileira. Foi após uma Copa das Confederações, no Japão, que Leão perdeu seu cargo à frente do time nacional. Foi demitido no aeroporto, no embarque. "Para o Parreira, isso não existe. Essa condição só é válida para os outros. Eu torço para o sucesso do Parreira no Alemanha", comentou, também para a Jovem Pan.

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