Emerson luta contra um tabu

A Copa das Confederações é um tabu para Emerson. O volante da Juventus - e provável capitão da seleção - não se deu bem nas duas edições de que já participou. Tanto em 1999, com Vanderlei Luxemburgo, como em 2003, já sob o comando de Carlos Alberto Parreira, a seleção não conquistou o título e ainda passou por maus momentos. Agora, não quer que a história se repita e colher terceira frustração. "Está mais do que na hora de acabar com isso", decreta, com autoridade de quem é um dos veteranos do grupo que veio à Europa. "Temos condições de fazer muito mais do que nas outras vezes", avalia. "E a oportunidade é agora, mesmo com rivais de peso como Argentina e Alemanha." Emerson sabe que a responsabilidade do Brasil é até maior do que a de seus adversários diretos na briga pelo título - partindo do pressuposto de que a equipe chegará à semifinal e à decisão em Frankfurt. "Somos campeões do mundo e todos nos seguem com mais atenção", supõe. "Por isso, temos de fazer muito bem a nossa parte." Na avaliação de Emerson, a seleção impõe respeito, projeta, mas cobra também. Por isso, abriu mão de sair de férias após o Campeonato Italiano, deu menos importância a uma contusão e encarou os jogos pelas Eliminatórias e a Copa das Confederações. "Vestir a camisa brasileira sempre é importante", discursa. "A temporada foi pesada, sem dúvida. Eu mesmo sofri contusão e aproveitei para me tratar aqui." O desgaste físico fez com que perdesse o treino da tarde de ontem. Velhos fantasmas voltaram a assombrar o volante, embora tenham sido espantados pelo prognóstico do doutor Runco. A hipótese de ser cortado não lhe passa pela cabeça. Já basta o trauma de 2002, quando seria o capitão e teve de abandonar o barco na véspera da estréia, contra a Turquia, na Coréia do Sul, por uma luxação em um bate-bola. Emerson aproveita também a estada em Leverkusen para rever amigos que fez no período em que defendeu o Bayer, entre 1997 e 2000. "Foi um período muito bom e minha saída daqui foi amistosa", recorda. Na época, a Roma decidiu apostar em seu talento e não se abalou por ter de esperar por seis meses antes de vê-lo em ação. Na época, a estréia demorou por conta de uma grave contusão. Outro pesadelo que não quer relembrar. O gaúcho revelado pelo Grêmio tem a receita para mandar más recordações para escanteio: jogar, e se possível desta vez levantar a taça que, três anos atrás, ficou nas mãos de Cafu, seu sucessor com a faixa de capitão. "Conquistar títulos com o Brasil sempre será uma alegria."

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