Robson Fernandjes/AE - 26/06/2012
Robson Fernandjes/AE - 26/06/2012

Emerson pede coragem, se emociona com infância sofrida e conclama: 'chegou a nossa hora'

Atacante dá um bico no discurso politicamente correto e faz discurso emocionante

Fábio Hecico, estadão.com.br

26 de junho de 2012 | 21h21

Nada do surrado discurso ensaiado de véspera de jogo importante. Antes da decisão com o Boca Juniors, o atacante Emerson resolveu deixar o politicamente correto de lado e abriu o coração. "Comento isso com os amigos, está na hora, é o nosso momento, momento de ter coragem, personalidade, cabeça no lugar e de levar esse título para São Paulo.

Chegou a hora do Corinthians", conclama.

O discurso, um pavor para qualquer treinador ou dirigente, que pode soar provocativo ou cheio de soberba, veio com tons sinceros e de desabafo, de quem já apanhou da vida e espera retribuir aos que sofrem, como os corintianos.

Seria a confirmação de uma premonição que Sheik teve na reta final do Brasileiro do ano passado, quando disse que sentia que "algo bom para ele estava guardado no clube." Nesse momento, sua voz ficou embargada e os olhos, marejados. Emerson se emocionou como nunca antes no clube. Aquele atacante brincalhão e sorridente quase foi às lágrimas. "Um amigo falou hoje (ontem) pra mim que quando entrasse em campo, lembrasse da minha infância, que foi difícil e muito pobre. E sempre me lembro com muito carinho. Perdi contato com alguns amigos, acontecem tantas coisas", iniciou. "O Corinthians há poucos anos atrás, uns dois, três anos, até a chegada do Ronaldo, não tinha o CT que tem hoje. Ele, junto com o Andrés (Sanches, ex-presidente), fizeram um Corinthians diferente. Se não for este ano, e a gente espera que seja, temos certeza absoluta  de que o clube cresceu e está no caminho certo para a conquista inédita da Libertadores", observou.

Naquele momento, em sua mente apareceu o sofrimento dos corintianos, com os quais se identifica devido à infância sofrida. "A gente, e quando falo a gente me refiro a nós, jogadores, espera dar esse presente ao torcedor, a todos os atletas que passaram pelo clube e não conseguiram dar esse título, às pessoas que ajudaram o Corinthians a crescer, os responsáveis por tudo o que o Corinthians é hoje, os patrocinadores. Isso não é minha área, mas eles acreditaram e fizeram a gente crescer".

Sheik também falou da Bombonera, disse que o Boca Juniors leva pequena vantagem, mas não o aponta como favorito e pediu atenção no jogo desta quarta-feira. "São dois jogos, então naturalmente temos de ter atenção especial. Dependendo do resultado, será definido aqui. São dois, porém o resultado com um ou dois gols de diferença é expressivo e difícil de reverter,

tanto a nosso favor como contra. É lógico que fazer o segundo em casa, com apoio da torcida, talvez seja um fator importante para darmos um passo mais importante, que é levantar a taça, mas são 11 contra 11 e não vejo favoritismo de ninguém."

Ele volta a pedir coragem e explica o que quer dizer com isso. "É o que nos trouxe até aqui, o que nos trouxe à final da Libertadores de 2012. É jogar em São Januário contra o Vasco de igual para igual, é buscar resultado de empate no primeiro jogo (1 a 1 com o Deportivo Táchira) que estava muito difícil. Jogávamos mal e perdíamos até os 40 minutos do segundo tempo. É ser agressivo no momento certo, ter humildade na hora correta, é ter ambição. A gente consegue juntar tudo isso. Nisso se resume a coragem."

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