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Empolgação tricolor

Time de Diego Aguirre é o único invicto do Brasileiro e aumenta confiança do torcedor

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2018 | 05h00

Como, leitor amigo?! A Copa bate à porta e o cronista se ocupa de Campeonato Brasileiro?! Está fora da realidade?! Calma, não se apoquente. Que ótima notícia nos traz o amigo Almir Leite, direto de Londres, a respeito da possibilidade de Neymar entrar em campo no amistoso com a Croácia, daqui a alguns dias. Todos ficamos felizes com a recuperação do astro e esperamos que tenha sucesso. 

Mas o Mundial pegará pra valer na hora em que a bola rolar na Rússia, dentro de duas semanas, como foi o tema de nossa conversa de domingo. Por ora, as torcidas por aqui estão preocupadas com o destino de seus respectivos times na Série A. 

E, se tem alguma animada, é a do São Paulo. Sim senhor, quem diria, a equipe de Diego Aguirre se mantém como única invicta, após sete rodadas, e a um ponto do líder Flamengo (14 a 13). Está bem que a tabela a coloca em quarto lugar, atrás de Flu e Atlético-MG, também com 13, porém isso se deve a critérios de desempate. Nada insuperável.

Importa para tricolores a boa fase da trupe. Depois do baque de eliminação no Paulista e na Copa do Brasil, ressurgiu temor de acúmulo de fiascos, estigma dos últimos anos. Os bons ventos deram o ar da graça na classificação na Sul-Americana e sobretudo com a trajetória até o momento no Nacional.

Além de resultados – que não devem ser desprezados –, melhoram astral e estratégia. O São Paulo se mostra mais eficiente e, por extensão, mais calmo. A insegurança de tempos atrás aos poucos dá lugar à confiança. A bola não queima nos pés dos jogadores, e estes não se intimidam em arriscar lançamentos, dribles e finalizações. Mesmo que errem feio, como aconteceu com a furada de Diego Souza numa tentativa de dar um voleio na área do América, no fim de semana. O lance soaria bizarro semanas atrás; agora, foi normal.

A propósito: Diego Souza ajuda a explicar o crescimento são-paulino. Esteve por um fio no Morumbi, amargou reserva com Dorival e no início do trabalho de Aguirre, cogitou-se de despachá-lo de novo para o Vasco, até vir a reviravolta. Conversa daqui, treina dali, tem entrado com regularidade, faz gols e retoma papel de destaque. 

Conta com a colaboração de Everton, que consolida a condição de titular, e sobretudo de Nenê. O veterano meia capturou para si o papel de líder. Não se esconde, chama a responsabilidade para desatar nós, faz assistências, participa intensamente dos jogos. Aguirre o monitora de perto – e nem sempre vai colocá-lo em campo, como parte do rodízio incessante no elenco.

As mudanças continuarão, como já avisou o treinador, e serão vistas no clássico de hoje com o Botafogo. No entanto, o desenho da formação ideal se delineia, com preferências óbvias (como Sidão, Militão, Arboleda, Reinaldo, Jucilei...) e substitutos imediatos, casos frequentes de Valdivia, Tréllez, Petros. Ou seja, sem alarde Aguirre molda o São Paulo, no mínimo para não fazer feio na competição.

A animação do público faz sentido e lhe é de direito. Agora cabe ao São Paulo provar fôlego e persistência, para passar certeza de vez de que reencontrou o rumo. A sequência antes da parada para a Copa tem como consolidar essa tendência.

INTERROGAÇÃO VERDE 

E o Palmeiras?, perguntam palestrinos ansiosos. Admito que esse time é um mistério. Quando se imagina que deslanchará, como nas diversas partidas em seguida em casa, dá uma travada. Passou na Copa do Brasil com empate raso (1 a 1) com o América-MG, e perdeu do Sport por 3 a 2. Já havia empatado por 1 a 1 com a Chapecoense. Ou seja, perdeu cinco pontos imprescindíveis no Allianz. Roger Machado várias vezes oscila nas mexidas e deixa no ar a sensação de que o crescimento não é continuado. Não dá pra confiar. Ainda.

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