Empreiteiro diz não ter feito obras no Anacleto Campanella

Ministério Público suspeita de 29 processos de licitação fradulentos, que somados chegam a R$ 3 milhões

Martín Fernandez, O Estado de S. Paulo

15 de dezembro de 2007 | 11h10

O empreiteiro Antônio Cressoni, que entre 1999 e 2004 foi contratado para realizar reformas no Estádio Anacleto Campanella, em São Caetano do Sul, declarou em depoimento ao Ministério Público de São Paulo que não realizou a maioria delas.  Veja também: Perigo em São Caetano Torcedores do São Caetano exigem reformas no estádio  A confissão de Cressoni foi tomada pelo promotor Roberto Wider, do Grupo de Atuação Especial Regional para a Prevenção ao Crime Organizado (Gaerco), na semana passada. O empreiteiro está envolvido num esquema de corrupção mais amplo, que envolve outros setores da prefeitura de São Caetano. Entre 1999 e 2004, as empresas de Cressoni participaram de nove licitações consideradas fraudulentas, que renderam à empresa mais de R$ 1,5 milhão. O Ministério Público suspeita de outros 20 processos de licitação, que somados chegam a R$ 3 milhões - todos ligados ao estádio usado pelo São Caetano. Em 5 de abril de 2001, por exemplo, o empreiteiro foi contratado por R$ 148.071,44 para realizar "execução de fundações e revestimento nas estruturas metálicas do setor 5 do Anacleto". No depoimento, diz que nunca fez nenhuma obra de fundação, nem de estrutura. Afirma ainda que não conhece "o setor 5" do estádio. Há vários outros exemplos de dinheiro embolsado por obras não realizadas. Cressoni afirma ainda que parte do dinheiro ia para o ex-prefeito Luiz Tortorello (morto em 2004) e seu sucessor, José Auricchio Jr. (PTB), além de alguns auxiliares. A prefeitura de São Caetano diz que vai esperar a conclusão do inquérito para se pronunciar. Os problemas no Estádio Anacleto Campanella já fizeram o São Caetano procurar outro estádio para jogar o Campeonato Paulista de 2008.

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