Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

Empresa acusada de dar propinas para CBF é multada em R$ 377 milhões

Indiciamento cita três presidentes da CBF em contratos para torneios regionais

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2016 | 20h28

Acusada de distribuir milhões de dólares em propinas aos presidentes da CBF, a empresa argentina Torneos y Competencia é obrigada a pagar uma multa de US$ 112 milhões (R$ 377 milhões) à Justiça dos EUA e reconhecer seus crimes. Indiciamento dos EUA apontam que José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira "pediram" propinas da empresa julgada. 

A companhia, em seu acordo, admitiu sua participação no mega-esquema de corrupção que afetou a Copa Libertadores e a Copa América. Ao lado da brasileira Traffic, a Torneos chegou a criar uma tabela de pagamento a partir de 2013 para os dirigentes sul-americanos, distribuindo propinas conforme a importância de cada uma das federações nacionais. O presidente da CBF receberia US$ 3 milhões por cada edição da Copa América.

As duas empresas formaram a Datisa que, segundo a Justiça americana "pagou e concordou em pagar dezenas de milhões de dólares em propinas para altos dirigentes da Conmebol, membros da Conmebol, presidente da Concacaf na aquisição dos direitos de transmissão das edições da Copa América de 2015, 2019 e 2012, além da Copa América do Centenário, de 2016".

Se o esquema tivesse sido mantido, a empresa teria distribuído US$ 110 milhões em propinas até 2023. Até 2015, ela havia dado US$ 40 milhões. "Pelo menos 17 dirigentes estão implicados nesse esquema", revelou a Justiça americana. Segundo o indiciamento do Departamento de Justiça de 3 de dezembro de 2015, entre as pessoas que "pediram ou receberam propinas" estavam José Maria Marin, em prisão domiciliar nos EUA. 

Porém, também segundo a investigação americana de 2015, a Torneos recebeu a solicitação de outros dirigentes também para que recebessem parte do dinheiro. "Os dirigentes que pediram e/ou solicitaram propinas incluíam Manuel Burga, Carlos Chavez, Luis Chiriboga, Marco Polo del Nero, Eugenio Figueredo, Rafael Esquivel, Nicolás Leoz, Ricardo Teixeira, José Luis Meiszner, Juan Ángel Napout", diz o indiciamento americano.

Del Nero sempre negou qualquer envolvimento. Mas desde o indiciamento não viaja para fora do Brasil. Nos EUA, Marin também insiste que é inocente e não negociou um acordo de delação premaida.

FUTURO

Além dos torneios regionais, a empresa pagou propinas para garantir o direito de TV para as Copas do Mundo de 2018, 2022, 2026 e 2030 para mercados sul-americanos. Nesse caso, os pagamentos foram feitos a Julio Grondona, vice-presidente da Fifa até 2014 e que faleceu depois da Copa no Mundo no Brasil. 

"O anúncio marca mais um passo importante em eliminar a corrupção no futebol e manda uma mensagem clara de que empresas que dependem do sistema financeiro americano para se enriquecer por meio de corrupção serão levados à Justiça", afirmou o procurador americano Robert Capers. 

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