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Empresa faz campanha para iniciar boicote de patrocínio à Fifa

Envolvida em escândalos, entidade ganha 'anti-patrocinador oficial' que procura parceiros dispostos a moralizar o futebol internacional

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2015 | 10h20

Uma empresa do setor de material esportivo, a Skins, inaugura uma nova onda: o anúncio de que ela rejeita oficialmente ser patrocinadora da Fifa. Nesta sexta-feira, a companhia declarou ser "anti-patrocinadora oficial" da organização máxima do futebol, inundada por escândalos de corrupção.

A ofensiva do setor privado ocorre num momento de disputa política dentro da Fifa, com eleições marcadas para maio. O suíço Joseph Blatter tentará um quinto mandato. 

A Skins jamais patrocinou a Fifa e o anúncio é apenas uma manobra para mostrar como o setor privado está disposto a se afastar da entidade enquanto a crise não for resolvida. Em um comunicado irônico, a empresa declara que o "acordo" de "não-patrocínio" permite que a companhia deixe claro que não compartilha os valores da Fifa. 


"Nossa atitude vai realçar os valores descreditados da Fifa e sua falta de integridade", declarou o CEO da Skins, Jaimie Fuller. A empresa se coloca ao lado de torcedores que, segundo ela, querem o "futebol de volta". Até mesmo um site foi aberto para receber apoio, o www.officialnonsponsor.com.

A companhia espera que outras marcas sigam o exemplo e convida empresas a se unir ao projeto. Na campanha, não falta bom humor por parte da empresa. "Depois de uma discussão de nosso conselho sobre pagamentos aceitos pela Fifa, US$ 5 milhões, um banquete opulento ou dar uma pintura de Picasso, decidimos não pagar nada a Fifa", ironizou. 

A Skins tem um histórico de atitudes similares. Em 2010, ela retirou seu apoio à Liga de Rugby da Austrália depois de um escândalo de pagamentos de salários pela equipe campeã. Em 2012, ela criou um grupo de pressão para pedir mudanças no ciclismo. 

Em 2013, ela se uniu a Ben Johnson, que perdeu em 1988 sua medalha de ouro no atletismo por conta do doping. Ele passou, desde então, a fazer campanha por um esporte limpo. 

A corrupção e escândalos minam a Fifa e alguns dos maiores patrocinadores da entidade optam por abandonar a organização máxima do futebol. Depois de a Sony e Emirates romperem com a Fifa no final de 2014, agora a entidade perde de uma vez só os patrocínios da Castrol, Continental e Johnson & Johnson.

A noticia foi revelada pelo jornal inglês Telegraph Sport e confirmada pelas empresas envolvidas. Dos grandes patrocinadores da entidade, cinco agora optaram por se afastar da organização marcada por crises.

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